A Raposa e o Leão ou a Queda de Uma Bela Possibilidade em Três Atos

Primeiro Ato

Boaventura oscilava entre a excitação e o medo. Em bom rigor, nem era verdadeiramente excitação nem medo. Era bem mais do que apenas isso. Era euforia e pavor. Uma bipolaridade bastante explosiva para o seu sistema nervoso, já para não mencionar a sua condição cardíaca, sempre à beira de um qualquer ataque. Apenas lhe ouvia a voz e já estava naquele estado. Tinha de sair do foyer. De encontrar a rua. De apanhar ar. Estava a hiperventilar … Ler mais

Coisas da Solidariedade

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Bolo Cremoso de Queijo com Morangos ou Vice-versa

Nojento, não é? Que peregrina ideia concebeu a possibilidade de juntar queijo e morangos e achar que, com isso, obteria um bolo? Parece coisa de pintura surrealista, ou de nerds da cozinha. Claro que suíços (e franceses também, mas deixemos estes para outra receita) – e, agora, atenção aos estômagos mais sensíveis – têm lá o seu fondue de queijo, onde submergem tudo e mais um par de botas, mas eles são suíços, não é? São gente estranha. São ricos … Ler mais

Levar a Peito o Peito

Recolheu-se em casa e só então percebeu o estado em que esta estava. Como tinha permitido que chegasse àquele ponto? Por onde tinha andado que não tinha nem reparado no desmazelo em que a sua casa estava? Vazia, empoeirada, com cheiro a mofo e solidão. Ao abandono. Quanta incúria! Paredes despidas, estores baixos. Uma escuridão bafienta e cega. Uma escuridão dolorosa. Como único elemento decorativo uns sinistros cortinados escuros. Castanhos, achava recordar. Já nem se recordava onde os tinha comprado, … Ler mais

Coisas do Coro

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Os Viajantes e o Urso ou Antes, As Viajantes Sem o Urso

Conclusão primeira: Clarisse imaginava melhor do que vivia.

Sempre imaginou, e imaginou-o incontáveis vezes, desde que se lembra de ser gente, que este dia seria especial. Que sentiria coisas que não caberiam nas pobres formas vocabulares e que, por isso, teria de ficar calada durante dias – talvez semanas, chegou mesmo a supor – antes que conseguisse dizer algo que se aproximar-se da enorme felicidade que sentiria. As palavras são pobres, sabia-o bem, e o seu peito rico em coisas … Ler mais

Lombo de Porco Recheado com Frutos Secos Mas Ainda Bons

Claro que somos adeptos dos cinco R e de tudo o que seja reaproveitar e dar segundas oportunidades, que só não erra quem não vive. Um princípio que se aplica inclusive e principalmente na cozinha, onde desperdício é palavra maldita, ainda que possa ser bem pronunciada (se não apanharam esta não vamos pôr-nos a explicar trocadilhos que envolvem maldita e mal dito, ainda que receemos ter acabado de o fazer.)

Vamos, então, por partes. O lombo, obviamente, não entra na … Ler mais

Coisas da Pessoa e da Persona

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Para Sempre

Ele sussurrava-lhe coisas ao ouvido. O sussurro era agradável e até ligeiramente excitante, mas as palavras eram estranhas e absurdas. Que não havia no mundo mulher como ela. Que tinham sido concebidos um para o outro. Que iria amá-la para sempre. Que ninguém mais a amaria como ele a amava. Falava de destino e plenitude. O sorriso dela ia-se desvanecendo na proporção exata em que se exacerbavam calamidades na boca dele. Ele assustava-a com tanta fatalidade. Narrativas absolutas eram vãs … Ler mais

Salada de Couve Roxa com Maçã e Queijo Feta

Que grande ‘feta’ que vai ser! Ainda mal entrámos na cozinha e já sentimos no ar aquele doce odor a sucesso garantido. Há receitas assim, inspiradoras. Ao manusear certos ingredientes, sentimo-nos como malabaristas, perante uma boquiaberta plateia de totós, atirando ao ar, com destreza e habilidade, 13 dos nossos melhores pratos de porcelana, um trio de laranjas do Algarve, o vizinho chato do terceiro esquerdo e ainda aquela moinha que não nos larga sempre que visitamos a sogra, sem nada … Ler mais

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