Mês: Julho 2016

A Princesa e a Ervilha ou a Jovem com Distúrbio Obsessivo Compulsivo

  • A PRINCESA E A ERVILHA 48b03b5ace744d75db8eed03a4a87ac7    A mesa de jantar estava um primor. Sempre gostara de pôr a mesa. Não apenas ‘pôr a mesa’, mas uma mesa bonita, decorada, preferencialmente com um tema, por norma, uma cor, um estilo, uma flor. Qualquer coisa que desse o mote para tudo o resto que punha na mesa. O tipo de centro, o tipo de serviço e faqueiro. Mais do que um hobby seria, por certo, um escape à rotina destes novos quotidianos em que encerramos toda uma existência.
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Tarte Caseira

Faça uma tarte. Faça-a em casa. Já está. É uma tarte e foi feita em casa, logo, é caseira.

Mais simples é impossível.

Ingredientes:

– Os necessários para a tarte que pretenda fazer

– Uma casa

Tempo de preparação:

Vai depender muito do tipo de tarte. Não dá para especificar.… Ler mais

Call Girl

BRANCA DE NEVE c85bd2b3109432522a7647bfc86e1fba

No escritório

– Eu trato de tudo. Não precisam de se preocupar com o que quer que seja.

Assim determinava o boémio do grupo pouco antes da hora de almoço. A conversa foi retomada no restaurante de sempre, a cinco minutos a pé do escritório, e o assunto continuaria a ser debatido ao longo da tarde, apimentado a cada coffee break, cinco ao todo. No final do dia de trabalho, o plano já tinha avançado para adjetivos como louco, … Ler mais

Leite-creme com Frutos do Bosque

Coloque um copo de leite no frigorífico até que fique com um leve tom creme, o que acontece uns estádios antes de se tornar queijo.

Adicione-lhe frutos que venham do bosque. Terá de comprá-los uma vez que não há verdadeiramente bosques em Portugal, mas aceitam-se frutos da mata e silvestres, como amoras. Pode ainda optar por qualquer outro fruto, mas aí, já não será esta receita, será outra. Pode, nesse caso, partilhá-la connosco.

Ingredientes:

– Um copo de leite

– … Ler mais

A Vida, assim tipo, Sem Ponto Final

– E, então?

– Ouve, foi uma cena bué estranha, tipo…

– O que é que ele disse?

– Começou com uma conversa tipo estou muito confuso ‘táza ver?

– Iá, ‘tou a ver e a cara dele? ‘Tiveste com ele?

– Não, foi p’lo t’efone, ‘táza ver’? Não tinha tempo e mái não sei quê… Eu disse p’a irmos tipo beber um café ou assim, e ele que não podia, tipo tinha ido para casa dos tios e não … Ler mais

Osga Maria

Logo que entrou em casa, viu-a. Os seus olhos pareciam ímanes a colarem-se, com todas as suas forças, alheias a si própria – bem o sentia –, a serem atraídos para ela. Como se nada mais do que ali estava existisse.Como se, estando lá, lá não estivesse verdadeiramente. Nem a parede que, a cerca de três metros, enfrentava a porta de entrada; nem, à esquerda, a porta de duplo batente que com ela formava um ângulo reto; nem o amplo … Ler mais

A Menina dos Sapatos de Ferro ou antes, A Gaja dos Louboutin

SAPATOS DE FERRO POR MARINA ROCHA RIBEIRO

Pois bem, comme d’habitude, era uma vez – mas também aqui, esteja à vontade para duvidar, pois vamos lá saber ao certo quantas foram as vezes. Porém, para comodidade de género, para maior identificação, e a fim de manter algo do original, aqui fica o clássico era uma vez uma menina. Ora, como as meninas se desenvolvem cada vez mais depressa e se atiram cada vez com mais empenho na estética adulta, a menina é agora uma gaja gira, … Ler mais

Cachorros Quentes com Tostinhas de Mascarpone e Iodo de Moledo

Dirija-se à Praia de Moledo ou qualquer outra rica em iodo

Leve o seu cão, não esquecendo que a ciência já provou que quanto menor é a raça mais elevada é a temperatura corporal do animal. Deixe que ele se enrosque a seus pés, já que as praias do norte tendem a ser frias e ventosas. Disponha as tostinhas, ou tostas e sobre elas coloque uma pequena porção de mascarpone e barre. E já está.

Ingredientes

– Um cãozinho

– … Ler mais

A Carochinha ou a Agarradinha e o João Ladrão

CAROCHINHA POR MARINA ROCHA RIBEIRO

Aqui há atrasado, Júlia ainda se recordava, tinha tido uma vida. Não era bem uma coisa em pleno, mas uma simpática aproximação daquilo que, por norma, se considera a existência humana. Havia uma família, pais, amigos, uma casa, a escola, roupa lavada, escova de dentes, telenovelas que se seguiam avidamente… Uma vidinha, vá. Na altura, era apenas sofrível para o seu espírito inquieto, menos do que isso para o seu coração palpitante, desejoso de aventura, ansioso de perigo, e um … Ler mais

A Gata Borralheira ou a Ágata da Alheira

GATA BORRALHEIRA POR MARINA ROCHA RIBEIRO

Ao ver-se ao espelho, enquanto retirava os quilos de maquilhagem e, sob esta, ao reencontrar as habituais olheiras que lhe desciam já até ao pescoço, Gata Alheira, questionou-se porque não lhe chamariam antes Gata Olheira! Um delírio retórico, já se vê. Num meio tão deprimente e limitado quanto o dos bares de alterne e seus derivados, – o seu era um derivado, já que foi ‘derivado’ da morte da mãe e do aparecimento na sua vida de uma madrasta de … Ler mais

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