Mês: Outubro 2018 (pagina 1 de 2)

Tardes de Gilda

Muitas pessoas, nem imagina quantas, não compreendem esta receita. Simplesmente não conseguem. Há que ser entendido em subentendidos, ser ágil no português e ter alguma cultura cinematográfica. Caso contrário, uma simples e demasiado rápida leitura e já estão todos com a mão na massa, a avançar para uma tarte de gila. Não é disso que falamos. Do que tratamos, nesta não-receita, de divinais contornos, é de um épico do palato artístico, do número um dos tops de sensualidade gustativa. Para … Ler mais

A Riqueza e a Fortuna ou o Bígamo Traído

Ele desesperava.

– Já está a dar o anúncio do Gino-Canesten e o jantar ainda não está na mesa? Não tardam os do Imodium Rapid e nada de jantar? A que se deve tanto atraso? O que anda a cozinheira a fazer?

– A cozinheira? Que conversa é essa? Agora sou tua cozinheira? Estive o dia todo a trabalhar como tu. Levanta o rabo do sofá e vem já fazer o arroz, se queres jantar mais cedo. Sozinha a fazer … Ler mais

Coisas do Xau Xau

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Encamado de Bolacha com Frutos Vermelhos

Esta é uma escabrosa obscenidade do mundo das sobremesas. Uma espécie derivada do delicado cheesecake sem todos os primores da finalização. Uma espécie de sucedâneo do rústico bolo de bolacha, sem a estruturada apresentação deste. Um in between para o qual nem todos têm mão. Tem mão? Então, vamos lá. A bolacha tem de se acasalar entre si com deleites sedutores e apaixonados gestos de intimidade. Caso não consiga este tipo de entendimento, a bolacha jamais se acamará por dá … Ler mais

Da Varanda Aberta – Ensaio sobre o (pré)amor fortuito

Da porta aberta, de par em par, da varanda chegavam-lhe as conversas da cidade, o chiar dos elétricos, as travagens dos mais nervosos e as buzinas nos impacientes. Da porta aberta, de par em par, da varanda chegava-lhe o pulsar do bairro, a tensão da vida urbana. Chegava-lhe ainda, da porta aberta, de par em par, da varanda, o espelho prateado do rio e a silhueta deitada daquela outra cidade que se espreguiçava naquela outra margem lá longe. Daquela porta … Ler mais

Coisas da Comutatividade

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Creme de Courgette e Coentros BioAgradáveis

Esta seria mais uma receita CCC, não fosse a urgência do bioagradável. São os tempos que correm, pelo que temos de correr com eles, ou seja, a seu lado ou, na pior das hipóteses atrás deles. O que é bom, pois correr abre o apetite e liberta os bofes, pelo que ficará agradavelmente predisposto para a receita que aqui se apresenta e explica. O difícil será obter o tom creme, uma vez que as courgettes têm casca verde-escura e a … Ler mais

O Lobo a Cabrita e a Cabra

Mas ele era tão bonito, mãe!

Tinha umas mãos grandes e protetoras, daquelas em quem se confia, daquelas onde cabe o amor e a gratidão. Dizes-me sempre para olhar bem as mãos dos homens. Que elas dizem muito sobre eles. Foi o que fiz. As dele eram incríveis. Suaves e expressivas. Uns olhos tranquilos, por onde se banhava um mar azul, numa leve ondulação de calmaria. Apetecia mergulhar neles. A voz, grave mas doce, convidava a sonhar. A acreditar num … Ler mais

Coisas do Palavreado

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Sopa de Peixe e Fumet de Camarão

Cozinhar é uma arte. Como tal, e à semelhança de toda e qualquer arte, ensina-nos uma imensidão de coisas, ou molhos de coisas – já que estamos na cozinha – de que nem n os apercebemos naquele exato momento em que escamamos ou suamos ou o que quer que seja que estejamos a fazer. No momento, apenas o fazemos. Mais tarde, surgem as revelações. Assim, tomando cada receita como uma aula de vida e partindo do generoso, nobre e apaixonante … Ler mais

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