Categoria: + Contidianos (pagina 1 de 4)

Contidianos: Substantivo muito indefinido (porque definir já é delimitar), do género que mais aprouver (que somos por todos os tipos de liberdade), em número que se quer sempre muito pluralista (na medida em que quantos mais, melhor).  Sobre eles dizem os mais eruditos, e alguns tolos também: “Um Contidiano por dia, não sabe o bem que lhe fazia!”

Juro-te Que Não Dormi Com Ele!

“Juro-te que não durmo nem dormi com quem quer que seja. Acredita, pois é a verdade.” Não sabia que mais fazer para o sossegar. Para o convencer da verdade. Para que ele, tal como ela, aceitasse o que realmente acontecera. O que era verdadeiramente verdade. Que ela jamais dormira com qualquer outro homem, desde que o conhecera. Desde que estavam juntos. Desde há nove anos, altura em que aquele amor sereno e tranquilo entrara nas suas vidas. Sim, ambos tinham … Ler mais

Não Há Narizes Bonitos

Era o início de um novo ano. O que queria isso realmente dizer? Não é o tempo, afinal, uma linha contínua que apenas a mente humana descontinua a fim de melhor se organizar? A fim de tentar encher e preencher o tempo com mais e mais coisas? Em que é que as 24 horas de dia 31 de dezembro se distinguem das 24 horas de dia 1 de janeiro, ou de quaisquer outras 24 horas? Mesmo para quem gosta de … Ler mais

Rosa dos Ventos

No dia em que Rosa nasceu, desabrochou no jardim lá de casa a primeira rosa desse ano. Não sabe muito bem como, mas o pai reparou naquele botão de cor. Suave, fresca, elegante e sedutora. Reparou nele enquanto olhava para o vazio, rodando já a chave na porta, tentando perceber mentalmente se levava para o hospital tudo aquilo que a mulher lhe havia pedido. Era para ser apenas mais uma consulta, mas o bebé pensou de forma diferente. Apanhada de … Ler mais

Com e Sem Rede – Um Desconcertante Caso de Quase Amor

Ela era um enigma. Tão absoluto e insondável que o enlouquecia. Sobre ela, ele imaginava todo um universo de fantasias e possibilidades. Sobre ela, podia criar e elaborar, inventar, subtrair e sublinhar aquilo que quisesse. Moldá-la ao sabor da sua fantasia, do seu desejo. Ela era um contentor vazio. Um enorme espaço amplo em toda a sua volumetria. Enorme, mas oco de realidades, pelo que podia preenchê-lo, completá-lo, torneá-lo a seu bel-prazer. Ela era a tábua rasa do seu romantismo, … Ler mais

Os Gays Magros e o Nascimento do Trendsetting Salvador

A mensagem era breve e enigmática: “O Salvador nasceu. Sigam a Estrela.” Ainda estremunhado, depois de uma noite+início de dia loucos, numa espécie de after party, naquilo que lhe pareceu uma mega tenda na areia – mas não na praia, faltava o ruído do mar, ou estaria apenas abafado pelo som, aquele eco que os altos decibéis deixam durante horas mesmo depois de a música acabar, que ainda lhe ribombava na cabeça? –, Gaspar não lhe deu a menor … Ler mais

Amélia e a Desconhecida Balecas

Amélia não tinha os olhos doces, como dizia a canção. Antes tivesse. Também não tinha sapatos de tiras. Os seus eram sapatos de vento, de chuva, sol e lama, conforme os caprichos da estação, e as suas botas eram de cascalho, poeira e frio, dependendo do piso. Mas, também, quem precisa de sapatos quando tem pés de chinelo? Amélia tinha outras coisas, mas não tinha os olhos doces. A doçura vem com a liberdade e a despreocupação, coisas que nunca … Ler mais

Ainda Ninguém Sabia

Ainda ninguém sabia. Não saber é bom. Só assim se dá continuidade à normalidade das coisas. Quando se sabe mais do que o suposto, não se age com normalidade. Age-se em função daquilo que se sabe, quase extemporaneamente, ludibriando ignorâncias, saltando etapas, respondendo fora do contexto comum, visando coisas que a mera banalidade do dia a dia não permitiria almejar, e provocando desfechos em função do conhecimento que se tem, ou apenas tendo em conta coisas mais que se julga … Ler mais

Lembra-te de Esquecer, Esquece-te de Lembrar

Se me amas, lembra-te de esquecer aquele dia. Tu sabes qual. Aquele em descobriste mentiras nas minhas verdades. Falta de concordância na minha sinceridade. Gralhas no meu amor por ti. Erros ortográficos na minha honestidade. Mas isto não é um ditado. Nem tu te podes colocar no lugar de corretor automático. Por isso, lembra-te de esquecer aquele dia. O dia em que soubeste que te traí com aquele que dizes ser o teu melhor amigo. Mas também tu não és … Ler mais

Viver no Entremeio

Ansiedade. O diagnóstico estava feito, antes mesmo de ter estado frente a frente com aquela inexpressiva bata branca com estetoscópio ao pescoço, moldada a um corpo humano pouco dado a conversas. Ansiedade. Meia dúzia de perguntas, todo o detalhe nas respostas e ei-lo, o diagnóstico: estado de ansiedade. Agravado com um claro esgotamento físico. O médico tinha acertado em cheio no seu próprio diagnóstico, alinhavado há muito, à bainha do seu louco quotidiano. Foi à consulta apenas para ver se … Ler mais

Amesterdão, a Mulher da Minha Vida e a Canção Mais Gay do Planeta

Vou contar-vos como, desgraçadamente, perdi a mulher da minha vida, por causa da canção mais gay do planeta. E não, não é ‘I Will Survive’, de Gloria Gaynor. Isto tudo somado a um estúpido mal-entendido, um vídeo viral e à minha habitual falta de intuição ou, como lhe chamo, avaria no radar principal. O pior de tudo é que apenas o descobri agora, anos mais tarde, quando tudo já estava irremediavelmente comprometido, até mesmo aquilo que julguei um … Ler mais

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