Categoria: + Contidianos (pagina 1 de 6)

Contidianos: Substantivo muito indefinido (porque definir já é delimitar), do género que mais aprouver (que somos por todos os tipos de liberdade), em número que se quer sempre muito pluralista (na medida em que quantos mais, melhor).  Sobre eles dizem os mais eruditos, e alguns tolos também: “Um Contidiano por dia, não sabe o bem que lhe fazia!”

Não é preciso, obrigada!

Ela – Vamos sair? Passear num bosque. Ver árvores e céu. Vamos? Estou mesmo com vontade de sair de casa.

Ele – Não me apetece. Não entendes que estou cansado? Se trabalhasses o que eu trabalho… Só me apetece esticar-me no sofá. Vai tu, se quiseres.

Ela – Podemos apenas andar de carro. Ir sem destino. Almoçar algures e regressar quando nos apetecer. Norte ou Sul, tanto faz. O que dizes?

Ele – Digo, obviamente, que não. Este fim de … Ler mais

Ginkgo Biloba e o Dia Em Que Deus Sorriu

O Homem, enlouquecido, medíocre, encafuado na sua omnipresente estupidez, lá colocou ponto final naquele texto. Lá avançou para novo parágrafo, assumindo papel divino numa errática e enlouquecida narrativa, sobre o que devia ou não viver. Sobre o que poderia ou não ser. A bomba caiu. Hiroshima e Nagasaki estremeceram e não seriam as únicas ouas últimas. O império esbugalhou os olhos, para logo os cerrar, o mundo abriu a sua boca em O e estamos em crer que jamais a … Ler mais

Xantungue, LãTerna e Musseline

Se não entrasse vivalma dentro de cinco minutos – tinha dito a si mesmo que se atreveria a tanto –, enroscar-se-ia nos arrumos do pequeno armazém das traseiras da loja, paredes meias com esta, para uma sesta ou algo parecido, com o corpo amparado pelos rolos de tecido que ali se guardavam. Por norma, restos da coleção anterior, rolos com pouco tecido – os quais mal daria para uma minissaia, razão pelo qual eram retirados do expositor principal, na loja, … Ler mais

Da Varanda Aberta – Ensaio sobre o (pré)amor fortuito

Da porta aberta, de par em par, da varanda chegavam-lhe as conversas da cidade, o chiar dos elétricos, as travagens dos mais nervosos e as buzinas nos impacientes. Da porta aberta, de par em par, da varanda chegava-lhe o pulsar do bairro, a tensão da vida urbana. Chegava-lhe ainda, da porta aberta, de par em par, da varanda, o espelho prateado do rio e a silhueta deitada daquela outra cidade que se espreguiçava naquela outra margem lá longe. Daquela porta … Ler mais

O Meu Funeral

ELA

Carmen conhecia aquela árvore. Já a tinha visto. Tantas e tantas vezes que não lhe foi difícil reconhecê-la, embora jamais a tivesse visto ao vivo, em casca e folha. Em tronco e copa. Em seiva e madeira. Ali, fisicamente palpável. Um ser vivo e respirante. Mas era ela. A árvore com que sonhava desde bebé. A árvore que, de forma tão ilógica, a amedrontava. Que para ela sorria de forma macabra há já tantos anos.

Carmen tinha pavor de … Ler mais

Se Petúlia Soubesse…

Se Petúlia soubesse que não era filha do homem a quem sempre chamara pai toda a sua vida, mas sim de um ex-patrão da mãe, um empresário multimilionário que fez pouco caso daquela gravidez imprevista, mas provável, dada a falta de cuidado ou uso de qualquer método contracetivo – preocupações impróprias para pequenos devaneios sexuais à hora de almoço de um grande homem de negócios –, a qual resolveu como tudo o resto na sua vida: passando um cheque chorudo … Ler mais

PerfeitaMente! (Ou Talvez Não)

Nos anos ’80, rendeu-se ao cubo mágico, um quebra-cabeças que jamais solucionou além de uma das faces do estúpido cubo, que de mágico tinha muito pouco e de bruxaria tinha tudo. Aquilo era coisa do Demo. Como a sua avó sempre disse: “O Diabo esconde-se nas pequenas coisas.” Pois ele ali estava, pintado de pequenos quadrados coloridos, para lhe infernizar a vida e mostrar quão limitado era o seu QI, se é que a inteligência na sua globalidade e não … Ler mais

Isso Vai Lá Com o Bico de Uma Faca

Em toda a sua vida, o único instrumento, ferramenta ou auxílio de que alguma vez necessitara esteve sempre à distância da gaveta dos talheres, no bico de uma faca, no fio de uma navalha. Jamais lhe falharam. Jamais desapontaram. Mesmo velhas, mesmo ferrugentas, mesmo rombas. Com elas enfrentava o pescoço resistente de uma galinha em vésperas de ser canja, os tenros caules da couve para o reconfortante caldo que se quer verde, o parafuso que teima em não rodar, a … Ler mais

Um dia Inesquecível Para Esquecer

No seu minúsculo berço, os Segundos choravam a bom chorar, se bem que o mais correto seria a mau chorar. Não que chorassem mal, até mostravam alguma perícia e certo pendor para aquela atividade gutural, que já lhes parecia vir da mais recôndita gruta gástrica, tal era o empenho e o esforço despendidos em tal tarefa. Mau, apenas porque isso estava a stressar a pequenada mais crescida, que tentava dormitar na divisão ao lado, com os Minutos já em plena … Ler mais

Ainda Hoje de Manhã…

Sorriu com amargura. Reconhecia bem aquilo que lhe ia no peito, apertando-o, estrangulando-o, fazendo-a sentir-se patética e humilhada. Constrangida. Minguada. Reconhecia bem o sentimento, mas não o compreendia. Recusava-se quase a aceitá-lo. Não pertencia a si. Não naquele momento. Não naquele lugar. Desfasado e extemporâneo. Fora de tempo e espaço adequados. Como podia estar a sentir-se assim, se… Nada daquilo fazia sentido. Porém, quanto mais pensava no justificado desajuste, no muito que havia em tudo aquilo que apenas jogava a … Ler mais

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