Categoria: + Contidianos (page 2 of 8)

No Final Daquele Dia

Tomás

No final daquele dia, Tomás sabia bem o que iria acontecer e preparava-se para o pior, ou, pelo menos, assim pensava, pois o pior era, nessa ainda simples manhã de quinta-feira, algo bem diferente do que acabaria por se revelar ‘o pior’. Não sairia do gabinete de Filipe Soares sem a sua indemnização. Transferência feita online, à sua frente ou dinheiro vivo, saído diretamente do cofre da empresa, onde ia parar parte do crédito malparado, depois de cobrado à … Ler mais

Aquilo Que Mais Queria

Adorava o turno da noite. Não sabe até porque ainda lhe chamava turno da noite, já que não trabalhava a outra hora, pelo que era apenas o seu normal horário de trabalho. Tudo era diferente à noite. O gigantesco aeroporto tornava-se casa e a casa de verdade deixava de a atormentar. A violência verbal dos pais era abafada pelo atrativo som dos motores dos últimos aviões, ou seriam os primeiros? Os olhares abusivos do tio materno não passavam ali pelo … Ler mais

As Coisas Que Fazemos

Na mesa ao lado, uma americana falava alto e alarvemente, como, de resto, todos os norte-americanos fazem, principalmente aqueles que vamos encontrando fora dos Estados Unidos. Como se, hoje, meio mundo e mais um quarto não compreendesse tudo aquilo que é dito ou escrito em inglês. Será que falarão igualmente tão alto, sem respeito pelos circundantes, sem consideração pela sua própria privacidade e daquilo que vão debitando, quando estão nas cercanias das suas casas? Usarão dos mesmos altos índices de … Ler mais

O Dia Em Que Também Eles Fizeram Greve – Uma Bizarra Distopia

O encontro há muito que vinha sendo preparado. Ainda que mantido em silêncio, não era propriamente um segredo, apenas algo que necessitava de amadurecimento e maior número de correligionários para que, quando anunciado publicamente, surtisse na comunicação social o efeito desejado: estrondoso.

O mais aguerrido era o Sindicato dos Doentes Terminais. Com menos a perder do que todos os outros sindicatos do país, tinha sido o primeiro a apoiar a proposta da Associação de Doentes Infetocontagiosos. Uma ideia que, inicialmente, … Ler mais

O Que Eles Viram

Ela chegou à sua vida no momento de maior desespero. Numa altura em que já se imaginava a acabar sozinho. Não apenas solitário, que isso sempre fora, mas só. A solidão é aquela ilha com um único habitante, cujo tempo de abandono o levou já a desistir de fazer fogueiras à noite, na esperança de chamar a atenção de um avião ou navio mais atentos. Já não sinaliza o seu infortúnio. O habitante dessa ilha dedica todo o seu tempo … Ler mais

É Melhor Não Dizer (Será?) E As Vantagens de Um Bom Vinho

A reunião que tinha agendada para as 15h dava-lhe um pouco mais de duas horas para almoçar, já que não regressaria ao escritório. Claro que não se podia esticar. Sabia bem que uma hora bem organizada rendia mais do que duas sem disciplina. Assim, desceria ao centro comercial e aí comeria, mas podia sentar-se para variar. Escolher um restaurante com esplanada, já que apesar do dia estar frio, o sol estava desavergonhado. A ideia fê-lo sorrir. Era importante que descomprimisse, … Ler mais

A Tola

Não gostava do que sentia, mas sabia bem o que era, do que se tratava. Aquele aperto no peito. A vontade de fugir dali. De se esconder. De deixar de existir. Ou apenas a vontade inexplicável de fechar a boca da mãe. Mandá-la calar-se. Obliterá-la para sempre da sua vida. Sabia bem o que lhe ia lá dentro. O que lhe turvava a mente. Sentia-se mal também por isso. Por saber exatamente o que estava a sentir, mas não podia … Ler mais

Narciso e Papoila

Esta é a história verídica, tão verídica como qualquer outra história, de um amor verdadeiro desmazelado e de um falso amor dedicado.

Tinha de lhe levar flores. No final do dia, não se podia esquecer de passar pelo centro comercial. Nem precisava de entrar na grande babilónia do shopping, já que a florista – abençoada! – tinha acesso direto também para a rua, o que era ótimo. Odiava centros comerciais e os seus aglomerados de gente louca e consumistas … Ler mais

Ela Trazia…

… ventanias presas no cabelo, frémitos vulcânicos ilusoriamente domados nas tranças. O sol nascia e punha-se no seu sorriso e o meio dia fazia o pino do verão a cada gargalhada sua. O mar ondulava no seu corpo, onde cada maré vaza acabava em maré cheia. Nele apetecia mergulhar, mesmo em dias de fúria invernal, mesmo correndo o doce risco de um clímax tsunâmico. Sob a copa exuberante do seu cabelo ventoso, a sombra fresca da juventude, o poder primaveril … Ler mais

Não é preciso, obrigada!

Ela – Vamos sair? Passear num bosque. Ver árvores e céu. Vamos? Estou mesmo com vontade de sair de casa.

Ele – Não me apetece. Não entendes que estou cansado? Se trabalhasses o que eu trabalho… Só me apetece esticar-me no sofá. Vai tu, se quiseres.

Ela – Podemos apenas andar de carro. Ir sem destino. Almoçar algures e regressar quando nos apetecer. Norte ou Sul, tanto faz. O que dizes?

Ele – Digo, obviamente, que não. Este fim de … Ler mais

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