Categoria: Histórias Infantis para Adultos (pagina 1 de 4)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

O Flautista de Hamelin, O Hacker e Um Caso de Falta de Escrúpulos e Outros Crimes Hediondos

O anúncio era claro e irresistível e andava, há semanas, a circular na internet, por tudo quanto era sítio da especialidade, sendo desmesuradamente postado e replicado nas redes sociais de gente daquele restrito e secreto meio. “Procura-se génio em programação especializado em vírus e firewalls. Cem milhões de euros a pronto, para trabalho pontual.” Inicialmente, aquilo mais não parecia do que um vírus, pelo que todos receavam abrir a mensagem, menos ainda dar-lhe resposta, segundo algumas encriptadas indicações, nas … Ler mais

Ali Babá e os Quarenta Ladrões ou Alice Bárbara e os Quarenta Milhões

Alice Bárbara assinava o blog do momento. A bíblia do lifestyle. A cartilha do bem-estar. O caderno de estilos dos fashion lovers. Seguida por cerca de quarenta milhões de pessoas perdidas na vida – que necessitavam de dicas diárias sobre o que deveriam tomar ao pequeno-almoço, que exercício físico específico lhes permitiria depois eliminar todas as calorias ingeridas nessa mesma refeição (vomitar era o exercício mais recomendado), que roupa combinar para o dia que tinham pela frente, como … Ler mais

Scheherazade e As Mil e Uma Noites ou Xana e as Mil e Uma Boîtes

Após mais de duas décadas a viver da noite, um eufemismo poético para a vida de imperatriz do colchão, que é, igualmente, outra forma de colocar romance no termo meretriz, Xana, que tinha percorrido por duas vezes e meia as mil e uma boîtes do país, tinha encontrado a solução perfeita para a restante parte da sua vida. Um plano que elaborara logo após o términus do primeiro mês na vida, naquela vida – não confundir com primeiro mês de … Ler mais

Hansel e Gretel na Versão Entre o Medo e o Cheiro a Gengibre

Ele conhecia bem a rua. Nela tinha nascido e dela jamais tinha saído. Primeiro, no encalço da mãe, esgravatando o lixo, fugindo de arruaças, dormindo em becos escuros e húmidos, pois são esses os menos movimentados, o que sempre permitia um cúmulo máximo de duas a três horas de sono seguido. Coisas práticas que tinha aprendido com a mãe. Tinha-as aprendido melhor do que os irmãos, os quais, aos poucos, se tinham perdido, ou esquecido, da matilha. Tinha ficado ele … Ler mais

O Leão e o Rato ou Mister Sucesso e o Tipo Normal a atirar Para o Marrão

De pé, encostado ao balcão do bar, num canto onde o som das colunas, ainda que insuportável, não era tão estrondoso como noutra zona da sala, Guilherme Leão passava em revista o desastre em que a sua vida se tinha tornado e avaliava de antemão o choque frontal que se adivinhava. Era como se, ao volante de um honesto, mas humilda Fiat 600, em plena rota de colisão com um camião de transportes internacionais, apenas só já conseguisse ver a … Ler mais

A Raposa e o Lobo ou a Mulher que Guardava uma Cabeleira Ruiva na Gaveta

  1. Recordava-se de, aos 25 anos, ter pensado, com alguma soberba e não menos alívio de que, para chegar aos 50 anos – uma idade ainda com algum proveito –, tinha pela frente outro tanto de vida. Lembra-se de se ter sentido feliz, grata, animada com a longa linha de vida que precedia ainda aquele seu instante. Isto fora os possíveis e previsíveis anos extra além de mais esses 25 anos. Achou precioso esse instante de perceção. Mas foi isso mesmo.
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O Velho, o Rapaz e o Burro ou A Mulher Que Todos Eles Amou

Não entendia tanto drama em torno de um assunto que apenas a si dizia respeito. Um assunto privado, praticamente íntimo. Porque haveria toda a gente de ter uma opinião sobre o tema? Porque debitavam postas de pescada para cima da sua vida? Logo ela que sempre soubera o seu lugar e esse era dentro das paredes da sua existência e não a espreitar a janela dos outros, menos ainda a dar-lhes palpites sobre decoração ou a criticar-lhes a escolha das … Ler mais

A Garça e a Raposa ou a Colisão de Universos Paralelos

Detestava sair de casa antes de anoitecer. Pior, não suportava a ideia de forçar-se a despertar artificialmente, com a ajuda de relógios esganiçados a anunciarem horas pré-definidas, que em tudo contrariavam a vontade natural do seu corpo, habituado a dormir entre doze a dezasseis horas. Além de que, mesmo depois de acordada, não se podia precipitar, de rompante, para os afazeres do dia. Precisava, como era óbvio, de algum tempo. Tempo para se ‘aclimatar’ ao estado de vigília, à temperatura … Ler mais

O Gato das Botas ou o Guru da Baixa Autoestima

No dia em que, regressado de um ano semi-sabático pela vasta galáxia do estrangeiro, Gustavo Cipriano aterrou no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, estava um calor abrasador. Para cima de 40º C, pareceu-lhe. Ainda que não chegasse a tanto, sobravam graus de calor para as botas de montanha que trazia calçadas. Um hábito de viajante do qual já não conseguia ou desejava livrar-se, além de que lhe dava aquele ar misterioso e muito cool, de aventureiro sem terra ou … Ler mais

A Raposa e as Uvas ou Tó Sousa e Maria Chuvas

Vamos fingir que era época de vindimas. Que as uvas pesavam já nos caules dos pés de vinha, organizadas em sólidos cachos a lembrar estruturas moleculares em teóricos mapeamentos de laboratório. Podemos, porém, imaginar que era qualquer outra estação do ano, longe dos romantismos bucólicos do outono. Que as formigas, no seu obsessivo afã, não labutavam já sem pausas para o almoço, a fim de prepararem o descanso invernal de toda uma comunidade. Vamos fingir ainda que esta é uma … Ler mais

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