Categoria: Histórias Infantis para Adultos (Page 1 of 10)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

O Cão e a Ovelha ou Sobre Como a Justiça é Apenas Vesga e Não Cega

Esta é, infelizmente, uma história batida. Tão batida que já nem dor sente, de tão repetitivas que são as vergastadas diárias e os abusos, incluindo de linguagem. Podia contar-se em três tempos, mas como temos vagar, fazemo-lo em um pouco mais, que os detalhes e um bom relato, nestas coisas, são de valorizar. Se não apreciar o slow-reading nem miudezas, pode saltar que o comboio ainda mal começou a andar.

Podia igualmente resumir-se a três personagens, o Manel, a Maria … Ler mais

A Porca e o Lobo ou Como Evitar os Avanço de um Ex Garganeiro

Etelvina sentia o pico de adrenalina a percorrer-lhe o corpo e o coração a bombear felicidade a cada batimento descompassado. Tudo numa histriónica arritmia. Tudo ao rubro, incluindo as suas faces. Não as via, mas sentia-as. Febris, roborizadas. Felizes. Com o dedo percorria os símbolos da raspadinha. Um enorme pedaço de cartão que bem merecia o nome de raspadona. O dedo, titubeante, temia ter-se enganado nas anteriores cinquenta verificações. Ora, o avião, três vezes, o número mil, três vezes, o … Ler mais

A Gralha e os Pavões e Aquela Coisa do Karma

Tinham sido muitos e penosos os anos de sacrifícios. Penosos e longos, que o que é mau custa mais a passar e tende a ser vivido de forma mais intensa. Tinham sido muitos. Demasiados. Na verdade, tantos quantos aqueles que já tinha vivido, consistindo essa sobrevivência no único feito digno de mérito. Eduardo tinha um olhar crítico e cínico sobre a vida, o mundo, as pessoas, alimentado por um misto de inveja e rancor por tudo e todos os que … Ler mais

A Andorinha e as Outras Aves e Ainda Alguns Patos Bravos

Os rostos começavam a dar sinais de enfado. Metade da redação já dedilhava nos telemóveis. Combinações para a hora de almoço que se aproximava, consultas de e-mail, respostas urgentes relativas a assuntos de trabalho, ou pessoais, eventualmente um ou outro jornalista jogava para se entreter, que quando a palavra enfado foi inventada destinava-se, seguramente, a situações como aquela. Uma estucha semanal. Culpa do diretor, com aquele tom pesaroso e monocórdico, a dar espaço a que todos interrompessem, dando voz a … Ler mais

O Lobo e a Cegonha, o Nó na Garganta e Aqueloutro na Barriga

Aquele era um osso difícil de roer, mais ainda de engolir. Tão difícil que lhe tinha ficado atravessado na garganta e de lá não saía. Nem para cima, nem para baixo. A humilhação e fúria que sentia, só comparável ao pânico de perder o emprego e, com ele, todo o mérito e proveito de anos de investimento na empresa, impediam que tomasse as decisões mais acertadas. Lembrava-se agora, de forma insistente e agoniante, das recomendações do pai, das quais se … Ler mais

O Cavalo e o Leão e a Grande Ressaca

A adicção, contrariamente à subtração, é a capacidade de escalar infinitamente uma dosagem, encurtando o tempo entre tomas. Longe dos cálculos aritméticos e da alçada da matemática, a adição não é benevolente, nem generosa. Na verdade, tira mais do que acrescenta. É apenas dependência, compulsão, ansiedade. Esta soma é desespero, assemelhando-se mais às contas de menos, por conta da sua capacidade de retirar anos e felicidade à existência. De sacar muito mais do que aquilo que apenas aparentemente dá. A … Ler mais

O Leão e o Asno ou Como, Por Vezes, Tudo se Baralha

Tinham o ‘serviço’ agendado há cerca de um mês. Era coisa para não demorar mais de meia hora, se tudo corresse como previsto. De acordo com os planos, feitos um pouco por alto, já que era difícil estacionar a concentração de Tino por mais de cinco minutos de cada vez, com necessários intervalos recreativos de, pelo menos meia hora, o trabalho decorreria ‘sem espinhas’, e dividir-se-ia em duas importantes etapas: Entrar e Sair. No quadro improvisado, na parede daquele velho … Ler mais

O Galo e a Raposa e Aquele Inesperado Caju

Há já dois anos que vivia nas nuvens. Não apenas na cloud, para onde se havia mudado bastante antes disso, por conta de um computador roubado com informação fiscal sensível e até com fotos e alguns vídeos bastante comprometedores – por vezes excedia-se em vaidades com o corpo e as redes sociais assim o exigiam, como bem se sabe –, mas verdadeiramente nas nuvens. No céu. No firmamento celeste dos felizes e contentes. No éden dos enamorados. No paraíso … Ler mais

O Cervo e o Leão e o TeleMundo Que Acaba de Chegar

De frente para o espelho, Raquel, uma dócil serva dos seus tempos e da sua geração, apreciava o seu corpo tonificado. Agradava-lhe em particular o recorte robusto, mas não em excesso, das pernas. Bem torneadas, ligeiramente musculadas e muito femininas, com os três arcos necessários a umas pernas bonitas, segundo os critérios de avaliação familiares, repetidos a todas as netas pela avó Marcela. Um arco formado na zona dos tornozelos, o segundo imediatamente abaixo dos joelhos e o terceiro entre … Ler mais

O Cão e a Sombra ou o Homem Que Sonhou Ter Tudo em Duplicado

O amor não contempla comparações e mesmo que as admitisse, numa tola suposição, como equiparar emoções, como perceber, em absoluto e sem resquício de dúvida, se um amor é mais feliz do que o outro, em maior quantidade do que outro, mais completo ou perfeito do que os demais? Os afetos, cada um por si, têm vida e existência próprias. Existem na sua exata medida, proporção e dimensão, as quais lhe são exclusivas. Não se podem relacionar nem relativizar perante … Ler mais

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