Categoria: Histórias Infantis para Adultos (pagina 1 de 5)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

As Três Maçãs de Ouro ou Uma Trilogia de Assédio

Branca

Branca chorou de felicidade ao saber que tinha dado à luz uma rapariga. Uma fêmea. Um rosto que, com sorte, com um ligeiro bafo de Deus – único que tudo vê e tudo sabe –não lançaria suspeitas sobre a sua ‘bastardaria’. Traços femininos, que mais dificilmente se assemelhariam aos do sangue paterno. O penteado certo, a indelével marca da pobreza e a dose exata de amor afastá-la-iam da sua verdade biológica. Da sua cruel verdade biológica. Do cruel estigma … Ler mais

Os Músicos de Bremen ou os Corda Banda

Poderão entender que tamanha coincidência ocorre apenas por beneficiar a presente narrativa, mas quem nunca assistiu a coisas completamente loucas, ou mesmo estúpidas e inexplicáveis, que coloque o dedo no ar, ou simplesmente abandone a sala. Se a vida vos foi favorável e rica em vivências, serão bem poucos os que partirão. Agora, sim, perante a audiência certa, escute-se a inacreditável história do trio de cordas Corda Banda Três+Um, que já deu a volta ao mundo e faz as delícias … Ler mais

O Rato do Campo e o Rato da Cidade ou o Simplório Feliz e o Sofisticado Stressado

Na casa de homens sofisticados, os lençóis da cama são sempre cinzentos. Uma preciosa lição que o cinema lhe havia ensinado, entre muitas outras coisas, que isto, quando se quer aprender, aceitam-se lições em qualquer canto de página. Claro que não era preciso entrar na intimidade do seu quarto e da sua cama – onde os lençóis eram invariavelmente brancos, para assegurar higienes visuais –, para se perceber que Joaquim não era um homem sofisticado (mas era lavadinho, a avaliar … Ler mais

O Rouxinol e o Imperador ou Aquele Vibrante Sedutor

O médico de clínica geral, uma criatura adorável e encantadoramente incompetente – o que é bom, pois a falta de conhecimento impede que se saia das suas consultas com alguma doença terminal, até porque diagnósticos não são o seu forte –, além de, em termos físicos, ser avassaladoramente assimétrico – coisa em que repara enquanto ele debita idiossincrasias médicas e faz associações disparatadas –, perante a insistente solicitação de Carlota, para lhe receitar um qualquer químico que voltasse a … Ler mais

Aladino e a Lâmpada Mágica ou Albino e Aquela Coisa Trágica

Sabia que não podia contar a quem quer que fosse. Teria de ser o seu segredo. Teria de morrer antes de o revelar, se preciso fosse. Quem acreditaria naquilo? Aquilo que até a si soava a loucura? Como dizê-lo sem parecer que tinha ensandecido de vez? A sua credibilidade já tinha os seus dias. O que seria dela se contasse, a uma única pessoa que fosse, aquilo que lhe estava a acontecer? Nem Kafka, nos seus mais insanos delírios, iria … Ler mais

O Flautista de Hamelin, O Hacker e Um Caso de Falta de Escrúpulos e Outros Crimes Hediondos

O anúncio era claro e irresistível e andava, há semanas, a circular na internet, por tudo quanto era sítio da especialidade, sendo desmesuradamente postado e replicado nas redes sociais de gente daquele restrito e secreto meio. “Procura-se génio em programação especializado em vírus e firewalls. Cem milhões de euros a pronto, para trabalho pontual.” Inicialmente, aquilo mais não parecia do que um vírus, pelo que todos receavam abrir a mensagem, menos ainda dar-lhe resposta, segundo algumas encriptadas indicações, nas … Ler mais

Ali Babá e os Quarenta Ladrões ou Alice Bárbara e os Quarenta Milhões

Alice Bárbara assinava o blog do momento. A bíblia do lifestyle. A cartilha do bem-estar. O caderno de estilos dos fashion lovers. Seguida por cerca de quarenta milhões de pessoas perdidas na vida – que necessitavam de dicas diárias sobre o que deveriam tomar ao pequeno-almoço, que exercício físico específico lhes permitiria depois eliminar todas as calorias ingeridas nessa mesma refeição (vomitar era o exercício mais recomendado), que roupa combinar para o dia que tinham pela frente, como … Ler mais

Scheherazade e As Mil e Uma Noites ou Xana e as Mil e Uma Boîtes

Após mais de duas décadas a viver da noite, um eufemismo poético para a vida de imperatriz do colchão, que é, igualmente, outra forma de colocar romance no termo meretriz, Xana, que tinha percorrido por duas vezes e meia as mil e uma boîtes do país, tinha encontrado a solução perfeita para a restante parte da sua vida. Um plano que elaborara logo após o términus do primeiro mês na vida, naquela vida – não confundir com primeiro mês de … Ler mais

Hansel e Gretel na Versão Entre o Medo e o Cheiro a Gengibre

Ele conhecia bem a rua. Nela tinha nascido e dela jamais tinha saído. Primeiro, no encalço da mãe, esgravatando o lixo, fugindo de arruaças, dormindo em becos escuros e húmidos, pois são esses os menos movimentados, o que sempre permitia um cúmulo máximo de duas a três horas de sono seguido. Coisas práticas que tinha aprendido com a mãe. Tinha-as aprendido melhor do que os irmãos, os quais, aos poucos, se tinham perdido, ou esquecido, da matilha. Tinha ficado ele … Ler mais

O Leão e o Rato ou Mister Sucesso e o Tipo Normal a atirar Para o Marrão

De pé, encostado ao balcão do bar, num canto onde o som das colunas, ainda que insuportável, não era tão estrondoso como noutra zona da sala, Guilherme Leão passava em revista o desastre em que a sua vida se tinha tornado e avaliava de antemão o choque frontal que se adivinhava. Era como se, ao volante de um honesto, mas humilda Fiat 600, em plena rota de colisão com um camião de transportes internacionais, apenas só já conseguisse ver a … Ler mais

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