Categoria: Histórias Infantis para Adultos (pagina 1 de 6)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

O Lobo a Cabrita e a Cabra

Mas ele era tão bonito, mãe!

Tinha umas mãos grandes e protetoras, daquelas em quem se confia, daquelas onde cabe o amor e a gratidão. Dizes-me sempre para olhar bem as mãos dos homens. Que elas dizem muito sobre eles. Foi o que fiz. As dele eram incríveis. Suaves e expressivas. Uns olhos tranquilos, por onde se banhava um mar azul, numa leve ondulação de calmaria. Apetecia mergulhar neles. A voz, grave mas doce, convidava a sonhar. A acreditar num … Ler mais

O Principezinho ou o Coisinho Hiper-Hedonista

Nascido em berço de ouro – em rigor, não era verdadeiramente de ouro, ou sequer de um qualquer outro mineral, mas sim de raiz de uma ancestral nogueira, todo ele talhado à mão há mais de centena e meia de anos e que, desde então, embalou todos os primogénitos da família, já que os segundos e as piquenas não contavam, limitando-se estas a existir de formas graciosas e ociosas até encontrarem um abastado primogénito com quem se casar – Tomás … Ler mais

O Poço Encantado ou o Moço Desdentado

A cigana olhou para a criança e sorriu de forma entristecida. O que via agradava-lhe. Era-lhe por demais familiar. Era um rapaz de olhos negros e fundos e cabelo cor asa de corvo. Podia ser um dos seus. Podia ser do seu sangue. Não era. Mas poderia ter sido. Inclusive, poderia ter sido seu. Todos os seus filhos tinham esses mesmos olhos infinitos e insondáveis e o cabelo, se lavado com a frequência deste pequeno, seria da mesmíssima cor e … Ler mais

Bela-Feia e Feia-Bela ou Como o Desemprego Também é um Emprego… Mal Pago

A fase Bela-Feia

Sempre gostara de chuva. Era o fenómeno mais próximo da pura magia, da quase feitiçaria, que alguma vez lhe foi dado a conhecer. Água pura que desce dos céus. Limpa. Cristalina. Fria. Lágrimas das pesarosas nuvens. Recados dos deuses. Nunca se cansava de chuva, nem mesmo quando as cheias ocupavam capas de jornais ou horas infinitas de telejornais. Era água, senhores. E água é vida, mesmo quando também pode ser morte. Atente-se no caso de Noé. Os … Ler mais

Gulliver, o Homem Montanha ou Aquele Colosso de Indivíduo

Preso a uma cama de hospital, onde descansava um estranho, inexplicável e profundo coma, Gulliver assemelhava-se a um raro, ou até já extinto, mastodonte de outras eras e de estranhas paisagens terrestres. Uma montanha de matéria humana, um promontório de gente. Um colosso disputado por feiras de horrores e outras macabras atrações. De costas, estirado naquela cama minguada, por onde todos os seus membros escapavam, para enorme desassossego de enfermeiras e equipa médica – o que acabaria por forçar macas … Ler mais

O Peixe Encantado ou o Chulo Encapotado

Inês sabia que, ao invés de avançar de braços arregaçados para terminar tarefas que tinham sido destinadas a outros elementos da sua equipa de trabalho, deveria fingir-se apenas ocupada, já que a parte dela há muito que estava realizada, e cumprida com brio. Inês sabia, porém, que se não avançasse, em modo bulldozer, para o muito que ainda havia por fazer, a sua quota parte não sortiria efeito, menos ainda luziria com o brilho que lhe era devido, já … Ler mais

Bonifácio e as Suas Ambições ou Aquele Coirão ou Ainda Por Onde Andam as Cristinas e as Anabelas?

De olhos postos no espelho, do qual se aproximava ou distanciava, consoante pequenos detalhes a que queria prestar mais atenção – e também porque a falta de visão ao perto começava a dar sinais de muito pouca acuidade –, Bonifácio sorria interiormente, o que também lhe arrebitava um pouco o canto dos lábios, num tímido esgar de plena satisfação. Cinquenta anos e ainda aquele físico portentoso. Músculos semitonificados. Um abdómen que não o envergonhava, fosse na praia – onde os … Ler mais

As Caras Trocadas ou Uma Abordagem ao Swing

Não sabia bem como ele reagiria, partindo dela assunto tão delicado. Receava não ser compreendida, ou não o ser na totalidade. Que ele se melindrasse. Se sentisse humilhado. Pior. Que a odiasse e passasse a olhar com desprezo e vergonha. Com embaraço. Que isso, em última instância, os separasse. Não entendia bem as razões de tal comportamento, apenas sabia que os homens são fãs de libertinagem, ousadias e descaramentos, mas não dentro de portas. Não protagonizados pelas suas próprias mulheres. … Ler mais

A Menina dos Fósforos de Ouro e Aquela Beata dos Diabos

A noite prometia muito. Muito, em quantidade, e muito, em diversidade. Para já, prometia neve, uma vez que se faziam sentir temperaturas gélidas por aquelas paragens do norte do país. A tal ponto negativas que Laura já sentia as extremidades a congelarem. Mal sentia os dedos das mãos, não obstante as luvas de pelica, forradas com uma fina camada de pelo de carneiro, e pior estavam os pés e as pernas, há muito insensíveis, protegidos apenas com umas meias de … Ler mais

O Príncipe Com Orelhas de Burro ou a Vida de Um Cantautor Plagiador

Mais do que a música, o seu ego, bem como o seu bomber onde não faltavam endiabradas lantejoulas – muito skinny e todo ele taylor made e customizado, onde se podia ler ‘Hoje Há Bifanas’ escrito um tom fashion-néon – enchiam o palco de vibrações, as quais eram replicadas pelo seu soberbo corpo de bailado, duas garotas (não tinha caché para uma terceira) bueneníssimas, em trajes a roçar o obsceno, que se iam bamboleando ao ritmo do compasso de … Ler mais

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