Categoria: Histórias Infantis para Adultos (Page 1 of 9)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

O Asno e a Carga de Sal ou o Chico Muito Pouco Esperto

Começava a estar saturado. Como se não houvesse naquela empresa outro funcionário – qualquer outro, atenção, não precisava de ser um CEO ou outro aglomerado de letras em caixa alta –, que não ele, para o trabalho árduo. Sentia-se verdadeiro burro de carga e acreditava mesmo, ao ver-se ao espelho, que já lhe cresciam as orelhas. Não fora esse assunto de uma outra história, e asseguraria que era mesmo verdade, que já se assemelhava ao jumento que o faziam sentir-se. … Ler mais

O Gato a Doninha e o Coelho ou Como a Ingenuidade Não Salva Vidas

A estratégia era boa. Muito boa. A mensagem forte, acessível e bem-humorada. Pelo que conhecia do cliente e por tudo aquilo que lhes tinha sido passado no briefing – aliás, nos vários briefings, que a empresa era poderosa e exigente –, Ismael Coelho sabia que o seu projeto seria o vencedor. Pelo menos a sua ideia, ainda que pudessem querer alterar pormenores. O conceito era imbatível. Há coisas que se sentem, que conseguimos olhar de fora, mesmo quando nascem cá … Ler mais

A Coruja e a Águia e o Frodo Baggins da Bobadela

Tita e Tati – não é erro nem gralha ou dislexia, é mesmo o nome das personagens do episódio que se segue, pelo que podem prosseguir a leitura, mas se querem pormenores irrelevantes eles aqui vão: Tita abrevia Cristina e Tati encurta Tatiana. Melhor assim? – estavam de todo. Sentiam-se estupendas, cheias de pouquíssima roupa e toda ela com imensos brilhos, os quais só encontravam rival no glitter das suas maquilhagens. Tudo em tons tão saturados quanto saturados estavam os … Ler mais

O Vento e o Sol ou Como a Temperatura Influencia o Amor

Ela não quis preocupar-se desnecessariamente. Tinha-o encantado. Tinha-o seduzido. Percebia como ele estava apaixonado por si, como tudo o que dizia e fazia o fascinava, mesmo aquilo que o surpreendia ou com o qual ele não concordava em absoluto. Ele sentia-se de tal forma feliz a seu lado que estava disposto a aceitar todos os seus gostos, preferências ou mesmo caprichos e disparates. Não fosse ela amá-lo tanto e diria que ele ‘estava no papo’, mas isso seria trazer de … Ler mais

A Raposa e o Leão ou a Queda de Uma Bela Possibilidade em Três Atos

Primeiro Ato

Boaventura oscilava entre a excitação e o medo. Em bom rigor, nem era verdadeiramente excitação nem medo. Era bem mais do que apenas isso. Era euforia e pavor. Uma bipolaridade bastante explosiva para o seu sistema nervoso, já para não mencionar a sua condição cardíaca, sempre à beira de um qualquer ataque. Apenas lhe ouvia a voz e já estava naquele estado. Tinha de sair do foyer. De encontrar a rua. De apanhar ar. Estava a hiperventilar … Ler mais

Os Viajantes e o Urso ou Antes, As Viajantes Sem o Urso

Conclusão primeira: Clarisse imaginava melhor do que vivia.

Sempre imaginou, e imaginou-o incontáveis vezes, desde que se lembra de ser gente, que este dia seria especial. Que sentiria coisas que não caberiam nas pobres formas vocabulares e que, por isso, teria de ficar calada durante dias – talvez semanas, chegou mesmo a supor – antes que conseguisse dizer algo que se aproximar-se da enorme felicidade que sentiria. As palavras são pobres, sabia-o bem, e o seu peito rico em coisas … Ler mais

A Raposa e o Corvo ou a Chefe de Cabine e o Viajante de Turística

Lá vinha ela. Conhecia-a tão bem que julgava já saber ao que ela vinha, consoante a sua forma de andar. Hoje vinha pedinchar. Tão transparente. Tão previsível. Ele tinha assumido uma personagem da qual, agora, particularmente agora e por maioria de razões, não lhe apetecia despir. Sempre enfrentara e sobrevivera às investidas matreiras dela recorrendo à única arma à disposição dos educados e humildes: a falsa ingenuidade, ou, dito de outra forma, fazendo-se de parvo. Assim, sabia bem que, para … Ler mais

O Rato e a Ratoeira ou Aquele Lindo Dia de Verão

Zélia Marquesa, administradora do condomínio para o próximo biénio, nem pestanejava. Estaria aquela insignificante criatura, a viver na mais pequena parcela do prédio – umas bem giras, mas exíguas águas furtadas com um lamentável chão de linóleo – a dizer exatamente aquilo que ela, recém-coroada rainha do sofisticado reino de aquém e de além porta de entrada principal, entendia? Estaria o ratito do esconso-mor a exigir obras de manutenção estruturais no condomínio, por conta de uma telha estalada, nem sequer … Ler mais

O Lobo Sabichão ou Nem Por Isso

Élio Lobo não sabia ao que ia. Disso se certificara Rapo, diminutivo de Raposa, miúda esperta e inteligentíssima, e companheira de Lobo nos últimos três anos. Tratara de tudo com o maior secretismo e com a ajuda sigilosa de muito pouca gente, a fim de garantir que não houvesse indiscrições fatais. Élio aceitara o desafio com expectativa, e o total desconhecimento relativamente a destino ou qualquer outra informação sobre o que os esperaria no final da viagem, que já ia … Ler mais

A Raposa e a Cegonha e o Valor de Uma Boa Dieta Líquida

A viver no campo, numa zona isolada e deserta, foi com um misto de curiosidade e animosidade que Raposa viu chegar uma nova moradora àquelas paragens alérgicas a urbanidades. Tinha sido a primeira a eleger aquela área de gigantesco nada, apenas campo, vinhedos e alguns montados, para propositadamente se isolar do mundo, em particular dos humanos, gente sempre muito intratável e irritante, pelo que não via com bons olhos a vinda de vizinhança, e ainda que também a recém-chegada procurasse … Ler mais

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