Categoria: Histórias Infantis para Adultos (pagina 1 de 6)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

A Rainha de Coração de Pedra ou Uma Personalidade Autofágica

Esta é a história, abreviada e fantasiada, de Itália. Não do país, está bom de ver, que isso daria uma inglória trabalheira, com tanta Lombardia que nos daria Toscana pela Umbria, ou pela barba, e isto sem entrar na Sicília, de onde poderíamos não voltar vivos. Salvar-nos-ia a bela e elegante Sardenha, mas mesmo assim, não foi por aí. Itália, assim batizada mais por pirraça da mãe – apostada em chocar a sogra – do que por um qualquer insano … Ler mais

O Rouxinol e o Imperador – Outra Versão dos Factos

Num impulso pouco habitual, e sentindo-se um pouco intruso na vida alheia, fez a pesquisa. Ainda se debatia com questões éticas e já tinha carregado na lupa, após ter escrito de um supetão o nome que tanta curiosidade lhe suscitava: José Imperador. Não era alcunha, era mesmo apelido e Ernesto garante, a quem duvidar, que era absolutamente adequado. Com ZéDor por abreviatura, José Imperador era invejado por toda a escola. Eles, porque ambicionavam ser como ele. Elas, porque o desejavam … Ler mais

João e o Pé de Feijão e As Falsas Verdades Gigantes

Jota – apenas para não cair na desgraça e no simultâneo embaraço de dizer que se chamava João Jacinto José Jaime Januário, como se fosse filho, neto e bisneto de padres ou apenas fruto de gente sem apelidos ou imaginação e escolaridade suficiente para chegar a outras letras do alfabeto –, olhava para a chefe em modo de observação pura. Tentando avaliar qual seria a resposta correta àquela pergunta manhosa. Tão simples e direta. Aquilo só podia trazer rasteira.

– … Ler mais

A Riqueza e a Fortuna ou o Bígamo Traído

Ele desesperava.

– Já está a dar o anúncio do Gino-Canesten e o jantar ainda não está na mesa? Não tardam os do Imodium Rapid e nada de jantar? A que se deve tanto atraso? O que anda a cozinheira a fazer?

– A cozinheira? Que conversa é essa? Agora sou tua cozinheira? Estive o dia todo a trabalhar como tu. Levanta o rabo do sofá e vem já fazer o arroz, se queres jantar mais cedo. Sozinha a fazer … Ler mais

O Lobo a Cabrita e a Cabra

Mas ele era tão bonito, mãe!

Tinha umas mãos grandes e protetoras, daquelas em quem se confia, daquelas onde cabe o amor e a gratidão. Dizes-me sempre para olhar bem as mãos dos homens. Que elas dizem muito sobre eles. Foi o que fiz. As dele eram incríveis. Suaves e expressivas. Uns olhos tranquilos, por onde se banhava um mar azul, numa leve ondulação de calmaria. Apetecia mergulhar neles. A voz, grave mas doce, convidava a sonhar. A acreditar num … Ler mais

O Principezinho ou o Coisinho Hiper-Hedonista

Nascido em berço de ouro – em rigor, não era verdadeiramente de ouro, ou sequer de um qualquer outro mineral, mas sim de raiz de uma ancestral nogueira, todo ele talhado à mão há mais de centena e meia de anos e que, desde então, embalou todos os primogénitos da família, já que os segundos e as piquenas não contavam, limitando-se estas a existir de formas graciosas e ociosas até encontrarem um abastado primogénito com quem se casar – Tomás … Ler mais

O Poço Encantado ou o Moço Desdentado

A cigana olhou para a criança e sorriu de forma entristecida. O que via agradava-lhe. Era-lhe por demais familiar. Era um rapaz de olhos negros e fundos e cabelo cor asa de corvo. Podia ser um dos seus. Podia ser do seu sangue. Não era. Mas poderia ter sido. Inclusive, poderia ter sido seu. Todos os seus filhos tinham esses mesmos olhos infinitos e insondáveis e o cabelo, se lavado com a frequência deste pequeno, seria da mesmíssima cor e … Ler mais

Bela-Feia e Feia-Bela ou Como o Desemprego Também é um Emprego… Mal Pago

A fase Bela-Feia

Sempre gostara de chuva. Era o fenómeno mais próximo da pura magia, da quase feitiçaria, que alguma vez lhe foi dado a conhecer. Água pura que desce dos céus. Limpa. Cristalina. Fria. Lágrimas das pesarosas nuvens. Recados dos deuses. Nunca se cansava de chuva, nem mesmo quando as cheias ocupavam capas de jornais ou horas infinitas de telejornais. Era água, senhores. E água é vida, mesmo quando também pode ser morte. Atente-se no caso de Noé. Os … Ler mais

Gulliver, o Homem Montanha ou Aquele Colosso de Indivíduo

Preso a uma cama de hospital, onde descansava um estranho, inexplicável e profundo coma, Gulliver assemelhava-se a um raro, ou até já extinto, mastodonte de outras eras e de estranhas paisagens terrestres. Uma montanha de matéria humana, um promontório de gente. Um colosso disputado por feiras de horrores e outras macabras atrações. De costas, estirado naquela cama minguada, por onde todos os seus membros escapavam, para enorme desassossego de enfermeiras e equipa médica – o que acabaria por forçar macas … Ler mais

O Peixe Encantado ou o Chulo Encapotado

Inês sabia que, ao invés de avançar de braços arregaçados para terminar tarefas que tinham sido destinadas a outros elementos da sua equipa de trabalho, deveria fingir-se apenas ocupada, já que a parte dela há muito que estava realizada, e cumprida com brio. Inês sabia, porém, que se não avançasse, em modo bulldozer, para o muito que ainda havia por fazer, a sua quota parte não sortiria efeito, menos ainda luziria com o brilho que lhe era devido, já … Ler mais

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