Categoria: Histórias Infantis para Adultos (page 1 of 7)

Peter Pan e o Cogumelo do Tempo(ral)

Peter Pan – Pedro Pancrácio segundo o registo civil – era um nanico de gente. Estava ali entre o seminanismo e o infantiloide, mas nada que lhe retirasse a grandeza de sonhar alto. Tão alto que, jurava ele, voava acima dos outros. Não era assim tão leve quanto isso, e ainda que muitos dele tivessem pena, devido aos seus extraordinários devaneios, não era pena suficiente para lhe dar sustento nas asas. Digamos, a bem da verdade, que não era tolo. … Ler mais

O Quebra-Nozes – A Tão Aguardada Versão Sem Ratazanas

Quebra-Nozes era um tipo intrépido e temerário. Era como se a inconsciência da infância e a ousadia da juventude jamais o tivessem abandonado, ou sequer moldado para traços de caráter mais consentâneos com os seus 30 anos. Qualquer coisa que se aproximasse de responsabilidade ou que ficasse geograficamente mais perto de bom-senso, ou apenas algo que lhe concedesse uns meros segundos para pensar antes de agir, ou abrir a boca, por onde vomitava todo o tipo de verdades e estas, … Ler mais

Em Direto da Manjedoura

Em reportagem, diretamente da Manjedoura mais in do planeta, que ainda hoje dita trendsettings e determina apontamentos de design natalício, aqui fica o relato dos eventos mais significativos do Natal de 2018.

José está mal-humorado, digerindo ainda com dificuldade o facto de não ser o pai biológico da criança, não obstante os mais de 2000 anos que teve para ‘desmoer’ o assunto e o facto de isso não suscitar problemas biológicos aos crentes. Dizem que o tempo tudo cura, parece … Ler mais

A Rainha de Coração de Pedra ou Uma Personalidade Autofágica

Esta é a história, abreviada e fantasiada, de Itália. Não do país, está bom de ver, que isso daria uma inglória trabalheira, com tanta Lombardia que nos daria Toscana pela Umbria, ou pela barba, e isto sem entrar na Sicília, de onde poderíamos não voltar vivos. Salvar-nos-ia a bela e elegante Sardenha, mas mesmo assim, não foi por aí. Itália, assim batizada mais por pirraça da mãe – apostada em chocar a sogra – do que por um qualquer insano … Ler mais

O Rouxinol e o Imperador – Outra Versão dos Factos

Num impulso pouco habitual, e sentindo-se um pouco intruso na vida alheia, fez a pesquisa. Ainda se debatia com questões éticas e já tinha carregado na lupa, após ter escrito de um supetão o nome que tanta curiosidade lhe suscitava: José Imperador. Não era alcunha, era mesmo apelido e Ernesto garante, a quem duvidar, que era absolutamente adequado. Com ZéDor por abreviatura, José Imperador era invejado por toda a escola. Eles, porque ambicionavam ser como ele. Elas, porque o desejavam … Ler mais

João e o Pé de Feijão e As Falsas Verdades Gigantes

Jota – apenas para não cair na desgraça e no simultâneo embaraço de dizer que se chamava João Jacinto José Jaime Januário, como se fosse filho, neto e bisneto de padres ou apenas fruto de gente sem apelidos ou imaginação e escolaridade suficiente para chegar a outras letras do alfabeto –, olhava para a chefe em modo de observação pura. Tentando avaliar qual seria a resposta correta àquela pergunta manhosa. Tão simples e direta. Aquilo só podia trazer rasteira.

– … Ler mais

A Riqueza e a Fortuna ou o Bígamo Traído

Ele desesperava.

– Já está a dar o anúncio do Gino-Canesten e o jantar ainda não está na mesa? Não tardam os do Imodium Rapid e nada de jantar? A que se deve tanto atraso? O que anda a cozinheira a fazer?

– A cozinheira? Que conversa é essa? Agora sou tua cozinheira? Estive o dia todo a trabalhar como tu. Levanta o rabo do sofá e vem já fazer o arroz, se queres jantar mais cedo. Sozinha a fazer … Ler mais

O Lobo a Cabrita e a Cabra

Mas ele era tão bonito, mãe!

Tinha umas mãos grandes e protetoras, daquelas em quem se confia, daquelas onde cabe o amor e a gratidão. Dizes-me sempre para olhar bem as mãos dos homens. Que elas dizem muito sobre eles. Foi o que fiz. As dele eram incríveis. Suaves e expressivas. Uns olhos tranquilos, por onde se banhava um mar azul, numa leve ondulação de calmaria. Apetecia mergulhar neles. A voz, grave mas doce, convidava a sonhar. A acreditar num … Ler mais

O Principezinho ou o Coisinho Hiper-Hedonista

Nascido em berço de ouro – em rigor, não era verdadeiramente de ouro, ou sequer de um qualquer outro mineral, mas sim de raiz de uma ancestral nogueira, todo ele talhado à mão há mais de centena e meia de anos e que, desde então, embalou todos os primogénitos da família, já que os segundos e as piquenas não contavam, limitando-se estas a existir de formas graciosas e ociosas até encontrarem um abastado primogénito com quem se casar – Tomás … Ler mais

O Poço Encantado ou o Moço Desdentado

A cigana olhou para a criança e sorriu de forma entristecida. O que via agradava-lhe. Era-lhe por demais familiar. Era um rapaz de olhos negros e fundos e cabelo cor asa de corvo. Podia ser um dos seus. Podia ser do seu sangue. Não era. Mas poderia ter sido. Inclusive, poderia ter sido seu. Todos os seus filhos tinham esses mesmos olhos infinitos e insondáveis e o cabelo, se lavado com a frequência deste pequeno, seria da mesmíssima cor e … Ler mais

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