Categoria: Histórias Infantis para Adultos (pagina 1 de 5)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

Gulliver, o Homem Montanha ou Aquele Colosso de Indivíduo

Preso a uma cama de hospital, onde descansava um estranho, inexplicável e profundo coma, Gulliver assemelhava-se a um raro, ou até já extinto, mastodonte de outras eras e de estranhas paisagens terrestres. Uma montanha de matéria humana, um promontório de gente. Um colosso disputado por feiras de horrores e outras macabras atrações. De costas, estirado naquela cama minguada, por onde todos os seus membros escapavam, para enorme desassossego de enfermeiras e equipa médica – o que acabaria por forçar macas … Ler mais

O Peixe Encantado ou o Chulo Encapotado

Inês sabia que, ao invés de avançar de braços arregaçados para terminar tarefas que tinham sido destinadas a outros elementos da sua equipa de trabalho, deveria fingir-se apenas ocupada, já que a parte dela há muito que estava realizada, e cumprida com brio. Inês sabia, porém, que se não avançasse, em modo bulldozer, para o muito que ainda havia por fazer, a sua quota parte não sortiria efeito, menos ainda luziria com o brilho que lhe era devido, já … Ler mais

Bonifácio e as Suas Ambições ou Aquele Coirão ou Ainda Por Onde Andam as Cristinas e as Anabelas?

De olhos postos no espelho, do qual se aproximava ou distanciava, consoante pequenos detalhes a que queria prestar mais atenção – e também porque a falta de visão ao perto começava a dar sinais de muito pouca acuidade –, Bonifácio sorria interiormente, o que também lhe arrebitava um pouco o canto dos lábios, num tímido esgar de plena satisfação. Cinquenta anos e ainda aquele físico portentoso. Músculos semitonificados. Um abdómen que não o envergonhava, fosse na praia – onde os … Ler mais

As Caras Trocadas ou Uma Abordagem ao Swing

Não sabia bem como ele reagiria, partindo dela assunto tão delicado. Receava não ser compreendida, ou não o ser na totalidade. Que ele se melindrasse. Se sentisse humilhado. Pior. Que a odiasse e passasse a olhar com desprezo e vergonha. Com embaraço. Que isso, em última instância, os separasse. Não entendia bem as razões de tal comportamento, apenas sabia que os homens são fãs de libertinagem, ousadias e descaramentos, mas não dentro de portas. Não protagonizados pelas suas próprias mulheres. … Ler mais

A Menina dos Fósforos de Ouro e Aquela Beata dos Diabos

A noite prometia muito. Muito, em quantidade, e muito, em diversidade. Para já, prometia neve, uma vez que se faziam sentir temperaturas gélidas por aquelas paragens do norte do país. A tal ponto negativas que Laura já sentia as extremidades a congelarem. Mal sentia os dedos das mãos, não obstante as luvas de pelica, forradas com uma fina camada de pelo de carneiro, e pior estavam os pés e as pernas, há muito insensíveis, protegidos apenas com umas meias de … Ler mais

O Príncipe Com Orelhas de Burro ou a Vida de Um Cantautor Plagiador

Mais do que a música, o seu ego, bem como o seu bomber onde não faltavam endiabradas lantejoulas – muito skinny e todo ele taylor made e customizado, onde se podia ler ‘Hoje Há Bifanas’ escrito um tom fashion-néon – enchiam o palco de vibrações, as quais eram replicadas pelo seu soberbo corpo de bailado, duas garotas (não tinha caché para uma terceira) bueneníssimas, em trajes a roçar o obsceno, que se iam bamboleando ao ritmo do compasso de … Ler mais

Os Sapatos Vermelhos ou Um Caso de Daltonismo

Adorava aquele primeiro momento. Um instante apenas. Uns meros segundos, ou terceiros, que o sono ainda impede grandes cálculos ou argúcias matemáticas. Quando a mente desperta, mas o corpo ainda não obedece. Os olhos ainda com os circuitos fechados, incapazes de entender o código, já digitado, que os ordena a abrir. O corpo ainda trôpego para perceber que tem de começar a mover-se. Entre o despertar da mente e o acordar do corpo, vai um tempo morno, ínfimo, em que … Ler mais

A Garça e a DesGarça

Olhou-se ao espelho com agrado. Mais do que isso. Com indisfarçável orgulho e satisfação, traduzidos no inevitável ato reflexo de sempre: um irrefletido, automático e rasgado sorriso. Estava capaz de se apaixonar pela imagem refletida. Que pedaço de homem. Que brutal elegância. Que estúpida beleza. Era estupendo! Magnífico. Quem, no seu perfeito juízo e bem calibrado padrão de avaliação estética, poderia não o achar absolutamente atraente e irresistível? Até um invisual perceberia todo aquele calibre de boa aparência. Era belo … Ler mais

As Três Maçãs de Ouro ou Uma Trilogia de Assédio

Branca

Branca chorou de felicidade ao saber que tinha dado à luz uma rapariga. Uma fêmea. Um rosto que, com sorte, com um ligeiro bafo de Deus – único que tudo vê e tudo sabe –não lançaria suspeitas sobre a sua ‘bastardaria’. Traços femininos, que mais dificilmente se assemelhariam aos do sangue paterno. O penteado certo, a indelével marca da pobreza e a dose exata de amor afastá-la-iam da sua verdade biológica. Da sua cruel verdade biológica. Do cruel estigma … Ler mais

Os Músicos de Bremen ou os Corda Banda

Poderão entender que tamanha coincidência ocorre apenas por beneficiar a presente narrativa, mas quem nunca assistiu a coisas completamente loucas, ou mesmo estúpidas e inexplicáveis, que coloque o dedo no ar, ou simplesmente abandone a sala. Se a vida vos foi favorável e rica em vivências, serão bem poucos os que partirão. Agora, sim, perante a audiência certa, escute-se a inacreditável história do trio de cordas Corda Banda Três+Um, que já deu a volta ao mundo e faz as delícias … Ler mais

Older posts

© 2018 Absinto Muito

Theme by Anders NorenTopo ↑