Categoria: Histórias Infantis para Adultos (Page 2 of 9)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

A Lebre e a Perdiz e a Tola Questão da Inveja

A Lebre e a Perdiz conheciam-se desde os tempos de escola, e mais intimamente desde o secundário. Uma amizade cuja engrenagem se ressentia, de quando em vez, por alguns grãos de areia, aqui e ali. Coisa pouca, mas percetível. Ou coisa muita, mas ignorada. Pecava essencialmente pela inveja, a qual conduzia a uma pequena dose de hipocrisia com a qual se escondia a primeira, ou assim imaginavam as envolvidas. Razão pela qual não era perfeita. Gostavam uma da outra, partilhavam … Ler mais

A Tartaruga Voadora ou a Mulher de Todas as Vontades

Priscila Soraia Vanessa – de agora em diante apenas PSV, acima de tudo por uma questão de economia de espaço virtual e mental – fervilhava de emoção. Havia brilho nos seus olhos cinzentos. Tanto brilho e excitação que se pintavam de um impossível azul, como as águas de todos aqueles locais maravilhosos e exóticos, onde a Natureza se exibe em vaidades descomunais, servindo-se de cores, cheiros e sons que desconhecemos e que julgávamos improváveis. Agora, duas lagoas de bilhete postal … Ler mais

O Corvo que Queria Ser Águia e o Complexo Universo Imobiliário

Gustavo Guilherme olhava o placard como quem se vê ao espelho. Afixado, em local de passagem, bem visível a toda a empresa, e precedido do seu nome, o seu rosto, fixado para a eternidade numa foto em que se achava no seu melhor, com a inestimável legenda: “Empregado do ano”. Rejubilava de orgulho. Gustavo Guilherme, empregado do ano. Não do dia. Não da semana. Não do mês. Nada de banalidades comezinhas. Para ele tudo. Em grande. Empregado do ano. Quer … Ler mais

A Assembleia dos Ratos e o Preço da Cobardia

Pela janela de vidro no final daquele vagão, de frente para a janela de vidro do vagão que imediatamente se lhe seguia, começaram a perceber-se movimentações estranhas. Braços erguidos que se mantinham no ar ou gesticulavam energicamente, como que bramindo ameaças inaudíveis. Cabeças que se erguiam e baixavam. Mãos que se colocavam em frente à boca, num claro sinal de susto e medo. Bocas abertas que gritavam. Seguramente gritavam, ainda que os seus gritos não chegassem a atravessar ambos os … Ler mais

A Raposa Sem Rabo ou a Tia Sem Cheta

Tudo começou de forma sub-reptícia. Sorrateira. Lenta e paulatinamente. Tão Paula-tinamente, que Pureza Mil-Joias, que odiava de paixão nomes de pobres, como Paula e Carla e outras urticárias congéneres, não deu por ela. Por ela ou por ele, que se assumia como pessoa contemporânea, muito pertença do seu tempo, inclusiva e quase, quase progressiva (faltava-lhe apenas um planeta ou dois de distância para tal), desde que não lhe viessem falar de casamentos entre pessoas do mesmo sexo ou abortos instantâneos. … Ler mais

A Pomba e a Formiga ou Como Odiar a Melhor Amiga

Graciete Pomba e Adelaide Formiga não o sabiam, ou sabiam-no, mas jamais o expressariam. Não por hipocrisia, ou conveniência, mas por acreditarem convictamente que eram amigas e que aquilo que as unia, aquilo que julgavam sentir, ou mesmo que deveriam sentir uma pela outra era amor fraterno. Uma amizade pura. Inabalável. Única. Quanto à sua unicidade, não se levantam questões, nem se exigem provas. Era, de facto, ímpar. Inimaginável, se preferirem. A verdade, porém, é que se odiavam. Não por … Ler mais

O Príncipe do Mar e Aquele Outro Que Ela Não Viu

Príncipe do Mar. Não precisou de ouvir mais. Estava tudo dito. Tudo esclarecido. Falaram em príncipe. Juntaram-no a mar. Que mais se poderia acrescentar? Nada mais. Não para si, que sempre procurara um príncipe entre os homens. Não para si, Mar-Ia, que já trazia o mar e o verbo nome, e sempre que o mar ia ou vinha, ela ia e vinha com ele. Maré acima, maré abaixo, como o bater do oceano que vivia no seu peito. Ora bravo … Ler mais

O Rapaz do Cavalinho Branco ou as V(e)ias do Desassossego

Certo dia, quando regressava a casa, inaugurando um novo trajeto, um pouco mais longo, mas bem mais prazenteiro, um rapaz encontrou um soberbo cavalo branco. O animal debruçava-se sobre as águas de um magérrimo curso de água, que separava a meio um pequeno prado de flores silvestres, como um perfeito risco num cabelo com brilhantina. Ainda que aquele percurso rodeasse a cidade, e percorre-se uma zona campestre, salpicada, aqui e ali de hortas semiurbanas, encontrar um quadrúpede por aquelas bandas … Ler mais

Os Três Vestidos Que Eram, Afinal, Quatro e Outras Questões de Sexo

Pode dever-se à cabala ou apenas a uma enorme falta de imaginação, o certo é que, mais uma vez, não conseguimos contornar o número três, dito perfeito por pitagóricos, e mais não sei o quê por outros indivíduos. Nada temos contra o dígito, nem em si, nem fora de si, mas depois dos três porquinhos, das três velhinhas, das três fadas madrinhas, a casa dos três ursos, das três mentiras da avozinha… Ainda bem que os anões eram sete, caso … Ler mais

Quem Se Quer Casar Com o Estrupício?

Comecemos pelo início, que é sempre, senão a melhor, pelo menos a mais acertada forma de o fazer, principalmente quando não se tem muito jeito para algum ofício, o que pode bem ser o nosso caso. Assim, o verbo casar-se apresenta o ‘se’ inerente sempre que se pretende dizer que alguém SE (cá está ele) quer casar com outro alguém, independentemente do sexo, que é bem sabido que os novos modelos de família são inclusivos e bastante desempoeirados, admitindo várias … Ler mais

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