Categoria: Histórias Infantis para Adultos (page 2 of 9)

A Assembleia dos Ratos e o Preço da Cobardia

Pela janela de vidro no final daquele vagão, de frente para a janela de vidro do vagão que imediatamente se lhe seguia, começaram a perceber-se movimentações estranhas. Braços erguidos que se mantinham no ar ou gesticulavam energicamente, como que bramindo ameaças inaudíveis. Cabeças que se erguiam e baixavam. Mãos que se colocavam em frente à boca, num claro sinal de susto e medo. Bocas abertas que gritavam. Seguramente gritavam, ainda que os seus gritos não chegassem a atravessar ambos os … Ler mais

A Raposa Sem Rabo ou a Tia Sem Cheta

Tudo começou de forma sub-reptícia. Sorrateira. Lenta e paulatinamente. Tão Paula-tinamente, que Pureza Mil-Joias, que odiava de paixão nomes de pobres, como Paula e Carla e outras urticárias congéneres, não deu por ela. Por ela ou por ele, que se assumia como pessoa contemporânea, muito pertença do seu tempo, inclusiva e quase, quase progressiva (faltava-lhe apenas um planeta ou dois de distância para tal), desde que não lhe viessem falar de casamentos entre pessoas do mesmo sexo ou abortos instantâneos. … Ler mais

A Pomba e a Formiga ou Como Odiar a Melhor Amiga

Graciete Pomba e Adelaide Formiga não o sabiam, ou sabiam-no, mas jamais o expressariam. Não por hipocrisia, ou conveniência, mas por acreditarem convictamente que eram amigas e que aquilo que as unia, aquilo que julgavam sentir, ou mesmo que deveriam sentir uma pela outra era amor fraterno. Uma amizade pura. Inabalável. Única. Quanto à sua unicidade, não se levantam questões, nem se exigem provas. Era, de facto, ímpar. Inimaginável, se preferirem. A verdade, porém, é que se odiavam. Não por … Ler mais

O Príncipe do Mar e Aquele Outro Que Ela Não Viu

Príncipe do Mar. Não precisou de ouvir mais. Estava tudo dito. Tudo esclarecido. Falaram em príncipe. Juntaram-no a mar. Que mais se poderia acrescentar? Nada mais. Não para si, que sempre procurara um príncipe entre os homens. Não para si, Mar-Ia, que já trazia o mar e o verbo nome, e sempre que o mar ia ou vinha, ela ia e vinha com ele. Maré acima, maré abaixo, como o bater do oceano que vivia no seu peito. Ora bravo … Ler mais

O Rapaz do Cavalinho Branco ou as V(e)ias do Desassossego

Certo dia, quando regressava a casa, inaugurando um novo trajeto, um pouco mais longo, mas bem mais prazenteiro, um rapaz encontrou um soberbo cavalo branco. O animal debruçava-se sobre as águas de um magérrimo curso de água, que separava a meio um pequeno prado de flores silvestres, como um perfeito risco num cabelo com brilhantina. Ainda que aquele percurso rodeasse a cidade, e percorre-se uma zona campestre, salpicada, aqui e ali de hortas semiurbanas, encontrar um quadrúpede por aquelas bandas … Ler mais

Os Três Vestidos Que Eram, Afinal, Quatro e Outras Questões de Sexo

Pode dever-se à cabala ou apenas a uma enorme falta de imaginação, o certo é que, mais uma vez, não conseguimos contornar o número três, dito perfeito por pitagóricos, e mais não sei o quê por outros indivíduos. Nada temos contra o dígito, nem em si, nem fora de si, mas depois dos três porquinhos, das três velhinhas, das três fadas madrinhas, a casa dos três ursos, das três mentiras da avozinha… Ainda bem que os anões eram sete, caso … Ler mais

Quem Se Quer Casar Com o Estrupício?

Comecemos pelo início, que é sempre, senão a melhor, pelo menos a mais acertada forma de o fazer, principalmente quando não se tem muito jeito para algum ofício, o que pode bem ser o nosso caso. Assim, o verbo casar-se apresenta o ‘se’ inerente sempre que se pretende dizer que alguém SE (cá está ele) quer casar com outro alguém, independentemente do sexo, que é bem sabido que os novos modelos de família são inclusivos e bastante desempoeirados, admitindo várias … Ler mais

A Princesa e o Sapo – O Conto para Batráquios

Esta é a história real – uma vez que inclui títulos reais, verdadeiros, segundo garantem escritos antigos sobre o tema – de uma princesa e da forma extraordinária como quase conheceu o seu homem encantado, também ele príncipe, ou conde, para dar mais credibilidade a tudo isto, que as palavras no papel ganham um poder mais assertivo do que o mero blá, blá, blá da oralidade. Além disso, a realidade é sempre mais incompreensível e bizarra do que a ficção, … Ler mais

O Cavaleiro da Dinamarca ou antes, o Ginete da Noruega

Depois do muito celebrado Cavaleiro da Dinamarca, o seu primo norueguês, também ele garboso cavaleiro de andanças por este mundo fora, que outro mundo ainda está por descobrir, relata, aqui e em exclusivo, a sua história. Prontos? Ora, então, aqui vamos nós a trote rumo a esse magnífico, surpreendente e relaxante relato de aventuras mil deste bravo ginete.
Ginete, já agora, é um substantivo masculino antepassado do bem mais comum cavaleiro, mas como tudo isto aconteceu antanho, a opção foi … Ler mais

O Tesouro do Ceguinho (Spoiler Alert): É Não Ver

É verdade. Já não se diz cego, pior ainda ceguinho, que é mesmo o cúmulo de todos os pináculos, porque não é inclusivo. Agora, o correto é falar em invisual, perdão, isso também foi aqui há atrasado, o correto é pessoa com deficiência visual. Acontece que entendemos que há vários tipos de insuficiência ou deficiência visual, sendo a mais grave, não a total cegueira, mas as vistas curtas, já que estas encurtam tudo o resto na vida, enquanto a cegueira … Ler mais

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