Categoria: Histórias Infantis para Adultos (pagina 2 de 4)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

A Lebre e a Tartaruga ou Apenas Duas Mulheres em Busca de um Rumo

Maria Tartaruga semicerrou os olhos. Não era um tique, longe disso, nem visava qualquer propósito sexy. Sabia bem que qualquer tentativa sua nessa direção – da sensualidade e do chamamento do sexo oposto com maneirismos femininos –, era desastre garantido. Mais do que isso, era humilhante, para si e para quem assistisse. Era desprovida de toda e qualquer ferramenta de marketing sexual e absolutamente inapta no que aos princípios básicos do sex appeal diz respeito. Não que os desconhecesse, … Ler mais

Pinóquio ou a Miúda Viciada em Encontros Online

Helena Gregório Góis tinha jurado a si própria que jamais, jamais mes-mo, voltaria aos sites de encontros, aos blind dates, aos arranjinhos casamenteiros da mãe, tias e amigas, aos encontros forçados com ‘rapazes muito jeitosos, honestos e trabalhadores’. De resto, nunca se sentira atraída por jeitosos, honestos e trabalhadores. Os primeiros eram demasiado vaidosos. Os segundos, demasiado maçadores e os últimos demasiado desinteressantes. Os primeiros raramente a olhavam como merecedora do seu charme, aos segundos faltava criatividade e aventura … Ler mais

A Galinha dos Ovos de Ouro ou o Gigolo e a Avozinha

Jani ajeitou o avental, no qual, sobre o fundo preto 100% algodão, se espreguiçava, a bege, o esboço do corpo – apenas do corpo, decepado no ponto exato em que começava a cabeça de Jani – de um Adónis indescritivelmente perfeito, musculado, másculo e jovem. Também ele se sentia assim, poderoso, sedutor e ainda mais sexy do que o seu avental. Por baixo deste, Jani usava apenas a sua pele, exfoliada, hidratada, eternamente bronzeada e suavemente perfumada. Assim deve ser … Ler mais

O Rei Vai Nu ou o Indivíduo Petulante e Hipermimado

Chef Mal’à-Guette trabalhava há anos numa receita ultrarrevolucionária com a qual ambicionava a sua terceira estrela Michelin. Melhor, com a qual estava seguro que conquistaria a sua terceira estrela Michelin, corolário que está para a culinária como os Óscares para o cinema, com o mesmo tipo de implicações, sendo a mais óbvia e injusta a garantia de quem nem sempre ganha o melhor. Uma crua – já que estamos na cozinha… – realidade que apenas cruza as mentes daqueles que … Ler mais

O Polegarzinho ou o Choninhas

Fernando Miguel estava a dar em doido, bem como o pobre do Champanhe, o caniche que trazia sempre ao colo ou a espreitar de um saco que usava a tiracolo. A mãe não se calava, com o nível de excitação no máximo ou para lá disso e o timbre a romper paciências. Champanhe borbulhava. A senhora já se embrenhava nas habituais e desnecessárias confissões as quais, um dia, esperava que o seu “filhinho” colocasse em livro. Uma obra para a … Ler mais

Pedro e o Lobo ou Loba e o Tolo

Esperava. Mais uma vez, ela esperava por ele. De cada vez que tal acontecia, e acontecia mais do que o desejado, até porque acontecia sempre, a solidão que ela sentia aumentava. Sentia que cada atraso se somava ao seguinte. O tempo que aguardava não era apenas o tempo de atraso dele em relação à hora combinada para aquele encontro. Era a soma desse tempo com todas as horas anteriores passadas à sua espera, em situações idênticas ou ainda mais embaraçosas. … Ler mais

A Pequena Sereia ou a Filha da Peixeira Que Não Ia em Cenas

A – Já sabes da Pequena Sereia?

B – Qual Pequena Sereia?

A – A fulana do rés-do-chão direito, vizinha do Nemo, aquele gay muito educado e colorido, que trabalha no Trumps e tem aqueles cães adoráveis, um todo castanho e outro todo preto. Tu conheces!

B – Aquele que tem um corpo fan-tás-ti-co?

A – Esse mesmo. Vive ao lado de uma ruiva espampanante, não sabes quem é?

B – Ah, sim, aquela que tem uma cabeleira farta e … Ler mais

Pipi das Meias Altas ou a Tipa com Expectativas Altas

Os seus receios iniciais desvaneciam-se de forma cálida. Primeiro, receou a agressividade de um qualquer vendedor, ao ver entrar uma mulher sozinha num stand em busca de um carro, sem sequer ter bem uma ideia do modelo pretendido. Entrou como quem entra na Zara, apenas para ver as novidades da estação e porque sabia que o seu carro necessitava urgentemente de ser substituído. Ou isso, ou teria de gastar uma pequena fortuna em arranjos vários. Ainda que o seu olhar … Ler mais

Rapunzel, o Maior Amor do Planeta e o Camião do Faísca

– Se me pedisses um beijo agora, ficarias surpreendido com a minha resposta.

Disse-to da primeira vez que nos vimos. Eu, do alto da minha altíssima e portentosa torre, de autoconfiança e juventude feita. Tão cheia de amor próprio e segura da minha beleza, que não hesitei em seduzir-te, enfeitiçar-te, desconcertar-te. Pelo menos, foi isso que aceitei como sendo verdade, nessa primeira troca de olhares, que te seduzi sem misericórdia, ao ver os dribles oculares apaixonados que me lançavas do … Ler mais

A Cigarra e a Formiga ou o Bandalho e o CCOPB – Chefe Com Olho Para Bandalhos

Aquele era um mês atípico para José Bandalho. Correção, aquele era um dezembro atípico na vida de José Bandalho, ou, para os poucos amigos, Zé Bandalho, ou apenas e tão simplesmente Bandalho, já que era comum na sua empresa utilizar-se apenas o apelido, exceto no caso da maioria das mulheres. Como não era esse o seu caso, e tinha apreço pelo toque militar desse trato, orgulhosamente, Bandalho ficou. Ora, todos os anos, Bandalho guardava religiosamente o último mês do ano … Ler mais

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