Categoria: Histórias Infantis para Adultos (pagina 2 de 6)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

A Menina dos Fósforos de Ouro e Aquela Beata dos Diabos

A noite prometia muito. Muito, em quantidade, e muito, em diversidade. Para já, prometia neve, uma vez que se faziam sentir temperaturas gélidas por aquelas paragens do norte do país. A tal ponto negativas que Laura já sentia as extremidades a congelarem. Mal sentia os dedos das mãos, não obstante as luvas de pelica, forradas com uma fina camada de pelo de carneiro, e pior estavam os pés e as pernas, há muito insensíveis, protegidos apenas com umas meias de … Ler mais

O Príncipe Com Orelhas de Burro ou a Vida de Um Cantautor Plagiador

Mais do que a música, o seu ego, bem como o seu bomber onde não faltavam endiabradas lantejoulas – muito skinny e todo ele taylor made e customizado, onde se podia ler ‘Hoje Há Bifanas’ escrito um tom fashion-néon – enchiam o palco de vibrações, as quais eram replicadas pelo seu soberbo corpo de bailado, duas garotas (não tinha caché para uma terceira) bueneníssimas, em trajes a roçar o obsceno, que se iam bamboleando ao ritmo do compasso de … Ler mais

Os Sapatos Vermelhos ou Um Caso de Daltonismo

Adorava aquele primeiro momento. Um instante apenas. Uns meros segundos, ou terceiros, que o sono ainda impede grandes cálculos ou argúcias matemáticas. Quando a mente desperta, mas o corpo ainda não obedece. Os olhos ainda com os circuitos fechados, incapazes de entender o código, já digitado, que os ordena a abrir. O corpo ainda trôpego para perceber que tem de começar a mover-se. Entre o despertar da mente e o acordar do corpo, vai um tempo morno, ínfimo, em que … Ler mais

A Garça e a DesGarça

Olhou-se ao espelho com agrado. Mais do que isso. Com indisfarçável orgulho e satisfação, traduzidos no inevitável ato reflexo de sempre: um irrefletido, automático e rasgado sorriso. Estava capaz de se apaixonar pela imagem refletida. Que pedaço de homem. Que brutal elegância. Que estúpida beleza. Era estupendo! Magnífico. Quem, no seu perfeito juízo e bem calibrado padrão de avaliação estética, poderia não o achar absolutamente atraente e irresistível? Até um invisual perceberia todo aquele calibre de boa aparência. Era belo … Ler mais

As Três Maçãs de Ouro ou Uma Trilogia de Assédio

Branca

Branca chorou de felicidade ao saber que tinha dado à luz uma rapariga. Uma fêmea. Um rosto que, com sorte, com um ligeiro bafo de Deus – único que tudo vê e tudo sabe –não lançaria suspeitas sobre a sua ‘bastardaria’. Traços femininos, que mais dificilmente se assemelhariam aos do sangue paterno. O penteado certo, a indelével marca da pobreza e a dose exata de amor afastá-la-iam da sua verdade biológica. Da sua cruel verdade biológica. Do cruel estigma … Ler mais

Os Músicos de Bremen ou os Corda Banda

Poderão entender que tamanha coincidência ocorre apenas por beneficiar a presente narrativa, mas quem nunca assistiu a coisas completamente loucas, ou mesmo estúpidas e inexplicáveis, que coloque o dedo no ar, ou simplesmente abandone a sala. Se a vida vos foi favorável e rica em vivências, serão bem poucos os que partirão. Agora, sim, perante a audiência certa, escute-se a inacreditável história do trio de cordas Corda Banda Três+Um, que já deu a volta ao mundo e faz as delícias … Ler mais

O Rato do Campo e o Rato da Cidade ou o Simplório Feliz e o Sofisticado Stressado

Na casa de homens sofisticados, os lençóis da cama são sempre cinzentos. Uma preciosa lição que o cinema lhe havia ensinado, entre muitas outras coisas, que isto, quando se quer aprender, aceitam-se lições em qualquer canto de página. Claro que não era preciso entrar na intimidade do seu quarto e da sua cama – onde os lençóis eram invariavelmente brancos, para assegurar higienes visuais –, para se perceber que Joaquim não era um homem sofisticado (mas era lavadinho, a avaliar … Ler mais

O Rouxinol e o Imperador ou Aquele Vibrante Sedutor

O médico de clínica geral, uma criatura adorável e encantadoramente incompetente – o que é bom, pois a falta de conhecimento impede que se saia das suas consultas com alguma doença terminal, até porque diagnósticos não são o seu forte –, além de, em termos físicos, ser avassaladoramente assimétrico – coisa em que repara enquanto ele debita idiossincrasias médicas e faz associações disparatadas –, perante a insistente solicitação de Carlota, para lhe receitar um qualquer químico que voltasse a … Ler mais

Aladino e a Lâmpada Mágica ou Albino e Aquela Coisa Trágica

Sabia que não podia contar a quem quer que fosse. Teria de ser o seu segredo. Teria de morrer antes de o revelar, se preciso fosse. Quem acreditaria naquilo? Aquilo que até a si soava a loucura? Como dizê-lo sem parecer que tinha ensandecido de vez? A sua credibilidade já tinha os seus dias. O que seria dela se contasse, a uma única pessoa que fosse, aquilo que lhe estava a acontecer? Nem Kafka, nos seus mais insanos delírios, iria … Ler mais

O Flautista de Hamelin, O Hacker e Um Caso de Falta de Escrúpulos e Outros Crimes Hediondos

O anúncio era claro e irresistível e andava, há semanas, a circular na internet, por tudo quanto era sítio da especialidade, sendo desmesuradamente postado e replicado nas redes sociais de gente daquele restrito e secreto meio. “Procura-se génio em programação especializado em vírus e firewalls. Cem milhões de euros a pronto, para trabalho pontual.” Inicialmente, aquilo mais não parecia do que um vírus, pelo que todos receavam abrir a mensagem, menos ainda dar-lhe resposta, segundo algumas encriptadas indicações, nas … Ler mais

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