Rolling Scones

Está a ver aquela espécie de pequenos papo-secos desengraçados, cheios de amolgadelas e pretensamente arredondados, mas sem grande apreço pela geometria esférica? Isso são scones. Agora, um pouco de história sobre esta delícia que tanto arranca sorrisos ao lanche como ao pequeno-almoço, de tão ridículos e malfeitos que são. O scone é uma pepineira britânica, onde são adorados à hora do chá. Servem-se quentes, barrados com manteiga e compota ou apenas frios e com qualquer coisa que esteja à mão. Esta última possibilidade limita ainda mais o potencial destes pequenos somíticos. O seu criador era um sovina, que em vez de amassar generosas porções de massa, se entretinha a não exceder, por dose, um terço da palma da sua mão. Pode parecer mais chique e anorético, mas é apenas poupança pura. Quando estão bons, apetece comer dez, o que se torna embaraçoso quando esse é o número total de scones servido. Bom, o tal inventor da receita, que tinha mais olho para o negócio do que para a cozinha, acabou em pasteleiro. Quem tiver dificuldades de cálculo para avaliar terços, pode safar-se medindo ‘a olho’, pois nem todos nascemos dotados para a matemática e para a geometria descritiva. Assim, uma vez obtidas as pequenas bolas, e para que qualquer imperfeição na forma não lhe pudesse ser imputada, o autor deliberou que os scones, ainda em cru, fossem atirados sobre a bancada enfarinhada, ou mesmo ao chão, e que nele rebolassem até ganharem uma forma mais ou menos esférica. Daí a expressão inglesa rolling scones – algo ou alguém que não para no mesmo sítio muito tempo –, que viria a inspirar o nome de uma banda mundialmente celebrada e que também não é fã de scones, aos quais deita a língua de fora a toda a hora. Curiosamente, com o passar dos anos, os apetitosos membros da banda assemelham-se cada vez mais aos imperfeitos scones, o que atesta a velha máxima de que “quem nunca pecou que atire o primeiro scone”. Assim, concluímos que não devemos desdenhar o que quer que seja, mais ainda tendo em conta a falta de tempo e paciência para a cozinha e alguma falta de mão também, e ainda estes tempos bizarros que não são para euforias.

E é isto. O resto é autoexplicativo após sabidos os ingredientes, que seguem já abaixo destas linhas.

Ingredientes:

– Farinha

– Blues

– Fermento

– Ritmo

– Sal

– Língua de fora

– Brown Sugar

– Manteiga

– Sustâncias ativas várias

– Leite

– Ovos

Tempo de preparação:

É só juntar tudo e levar ao forno, não mais do que dez minutos. O mais moroso é pôr a massa a rolar. Para esta tarefa, damos-lhe mais dois dias, acha que é suficiente?

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2 Comments

  1. Luis Galvao

    e assim se descobre a origem do “i can’t get no satisfaction”

    • Marina Rocha Ribeiro

      Ahahaha. Tão verdade! Principalmente se levarmos as receitas à letra, sem intervenção interpretativa.

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