Categoria: Histórias Infantis para Adultos (Page 1 of 10)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

O Cavalo e o Leão e a Grande Ressaca

A adicção, contrariamente à subtração, é a capacidade de escalar infinitamente uma dosagem, encurtando o tempo entre tomas. Longe dos cálculos aritméticos e da alçada da matemática, a adição não é benevolente, nem generosa. Na verdade, tira mais do que acrescenta. É apenas dependência, compulsão, ansiedade. Esta soma é desespero, assemelhando-se mais às contas de menos, por conta da sua capacidade de retirar anos e felicidade à existência. De sacar muito mais do que aquilo que apenas aparentemente dá. A … Ler mais

O Leão e o Asno ou Como, Por Vezes, Tudo se Baralha

Tinham o ‘serviço’ agendado há cerca de um mês. Era coisa para não demorar mais de meia hora, se tudo corresse como previsto. De acordo com os planos, feitos um pouco por alto, já que era difícil estacionar a concentração de Tino por mais de cinco minutos de cada vez, com necessários intervalos recreativos de, pelo menos meia hora, o trabalho decorreria ‘sem espinhas’, e dividir-se-ia em duas importantes etapas: Entrar e Sair. No quadro improvisado, na parede daquele velho … Ler mais

O Galo e a Raposa e Aquele Inesperado Caju

Há já dois anos que vivia nas nuvens. Não apenas na cloud, para onde se havia mudado bastante antes disso, por conta de um computador roubado com informação fiscal sensível e até com fotos e alguns vídeos bastante comprometedores – por vezes excedia-se em vaidades com o corpo e as redes sociais assim o exigiam, como bem se sabe –, mas verdadeiramente nas nuvens. No céu. No firmamento celeste dos felizes e contentes. No éden dos enamorados. No paraíso … Ler mais

O Cervo e o Leão e o TeleMundo Que Acaba de Chegar

De frente para o espelho, Raquel, uma dócil serva dos seus tempos e da sua geração, apreciava o seu corpo tonificado. Agradava-lhe em particular o recorte robusto, mas não em excesso, das pernas. Bem torneadas, ligeiramente musculadas e muito femininas, com os três arcos necessários a umas pernas bonitas, segundo os critérios de avaliação familiares, repetidos a todas as netas pela avó Marcela. Um arco formado na zona dos tornozelos, o segundo imediatamente abaixo dos joelhos e o terceiro entre … Ler mais

O Cão e a Sombra ou o Homem Que Sonhou Ter Tudo em Duplicado

O amor não contempla comparações e mesmo que as admitisse, numa tola suposição, como equiparar emoções, como perceber, em absoluto e sem resquício de dúvida, se um amor é mais feliz do que o outro, em maior quantidade do que outro, mais completo ou perfeito do que os demais? Os afetos, cada um por si, têm vida e existência próprias. Existem na sua exata medida, proporção e dimensão, as quais lhe são exclusivas. Não se podem relacionar nem relativizar perante … Ler mais

O Asno e a Carga de Sal ou o Chico Muito Pouco Esperto

Começava a estar saturado. Como se não houvesse naquela empresa outro funcionário – qualquer outro, atenção, não precisava de ser um CEO ou outro aglomerado de letras em caixa alta –, que não ele, para o trabalho árduo. Sentia-se verdadeiro burro de carga e acreditava mesmo, ao ver-se ao espelho, que já lhe cresciam as orelhas. Não fora esse assunto de uma outra história, e asseguraria que era mesmo verdade, que já se assemelhava ao jumento que o faziam sentir-se. … Ler mais

O Gato a Doninha e o Coelho ou Como a Ingenuidade Não Salva Vidas

A estratégia era boa. Muito boa. A mensagem forte, acessível e bem-humorada. Pelo que conhecia do cliente e por tudo aquilo que lhes tinha sido passado no briefing – aliás, nos vários briefings, que a empresa era poderosa e exigente –, Ismael Coelho sabia que o seu projeto seria o vencedor. Pelo menos a sua ideia, ainda que pudessem querer alterar pormenores. O conceito era imbatível. Há coisas que se sentem, que conseguimos olhar de fora, mesmo quando nascem cá … Ler mais

A Coruja e a Águia e o Frodo Baggins da Bobadela

Tita e Tati – não é erro nem gralha ou dislexia, é mesmo o nome das personagens do episódio que se segue, pelo que podem prosseguir a leitura, mas se querem pormenores irrelevantes eles aqui vão: Tita abrevia Cristina e Tati encurta Tatiana. Melhor assim? – estavam de todo. Sentiam-se estupendas, cheias de pouquíssima roupa e toda ela com imensos brilhos, os quais só encontravam rival no glitter das suas maquilhagens. Tudo em tons tão saturados quanto saturados estavam os … Ler mais

O Vento e o Sol ou Como a Temperatura Influencia o Amor

Ela não quis preocupar-se desnecessariamente. Tinha-o encantado. Tinha-o seduzido. Percebia como ele estava apaixonado por si, como tudo o que dizia e fazia o fascinava, mesmo aquilo que o surpreendia ou com o qual ele não concordava em absoluto. Ele sentia-se de tal forma feliz a seu lado que estava disposto a aceitar todos os seus gostos, preferências ou mesmo caprichos e disparates. Não fosse ela amá-lo tanto e diria que ele ‘estava no papo’, mas isso seria trazer de … Ler mais

A Raposa e o Leão ou a Queda de Uma Bela Possibilidade em Três Atos

Primeiro Ato

Boaventura oscilava entre a excitação e o medo. Em bom rigor, nem era verdadeiramente excitação nem medo. Era bem mais do que apenas isso. Era euforia e pavor. Uma bipolaridade bastante explosiva para o seu sistema nervoso, já para não mencionar a sua condição cardíaca, sempre à beira de um qualquer ataque. Apenas lhe ouvia a voz e já estava naquele estado. Tinha de sair do foyer. De encontrar a rua. De apanhar ar. Estava a hiperventilar … Ler mais

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