Adoramos um bom, ou mesmo mediano desafio. Perdemo-nos por um quebra-cabeças. Pelamo-nos, de verdade, por uma charada. Sentimo-nos, até, atraídos por um contrassenso. Isto, todavia, vai muito além de tudo isso. Este é um labirinto sem saída, daqueles infernais ao estilo de Kubrick, em Shining, ou outros com jardinagem mais cuidada. Como avançar para uma canja quando, por definição clássica e até tradicional, esta exige galinha? Pode dizer-se caldo de galinha, mas logo que se diz canja, esta já dispensa … Ler mais
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Tinha apenas fechado os olhos. Um segundo? Não mais do que isso, estava certa. Podiam ter sido cinco minutos, vá, que o tempo é traiçoeiro e a sua cabeça funcionava num outro fuso horário, mas… Aquilo era ridículo e desprovido de qualquer pingo de lógica. Não havia explicação, nem recorrendo à fantasia. Como é que o calendário anunciava já de novo o 25 de dezembro para daí a uns dias? Estaria louca? Teria terminado mais uma volta inteira em torno … Ler mais
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Alerta à navegação: o álcool é para as peras, daí se adjetivarem de bêbedas que nem cachos, e não para o cozinheiro. Se reparar, a receita nem fala do cozinheiro, quanto mais das doses de álcool que lhe estão destinadas. Nós só percebemos cabalmente essa parte depois, pelo que… enfim, faremos o melhor que conseguirmos.
Tem peras? Estão bêbedas? Parecem, não parecem? Agrupam-se, na sua alegre perceção, que nem uvas num tacho? Perdão, num cacho? Então já tem tudo. A … Ler mais
Esta é, infelizmente, uma história batida. Tão batida que já nem dor sente, de tão repetitivas que são as vergastadas diárias e os abusos, incluindo de linguagem. Podia contar-se em três tempos, mas como temos vagar, fazemo-lo em um pouco mais, que os detalhes e um bom relato, nestas coisas, são de valorizar. Se não apreciar o slow-reading nem miudezas, pode saltar que o comboio ainda mal começou a andar.
Podia igualmente resumir-se a três personagens, o Manel, a Maria … Ler mais
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O primeiro reparo surge na forma de pergunta: Porquê bochechas? Há assim tanta necessidade de aproveitar todo o centímetro de matéria orgânica do animal? É assim tão imprescindível descarnar-lhe as faces? Só me ocorrem as pungentes criações de Francis Bacon – curiosamente também ele com nome de fumeiro suíno –, com os seus descarnamentos de genialidade talhante. Acontece que essas são para admirar, para embarcar em temas filosóficos sobre a moral, a beleza e a arte e discutir e argumentar … Ler mais
A última vez
Há algo de absurdamente doloroso e intolerável na última vez. Exulta-se tanto a primeira vez, e nada se diz sobre a última. Não aquela última vez que só a posteriori percebemos ter sido a última vez. Como quando recordamos que vimos sicrano nas últimas férias e estávamos longe de saber que nunca mais estaríamos juntos, ou beltrano ainda ontem e mal sabíamos da impossibilidade de novo encontro. Não. Essa última vez não dói na carne porque passa por ser apenas … Ler mais
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Somos castos. Somos, por isso, pela modéstia, franciscanismo e ordens religiosas mendicantes, pelo que despromovemos cabalmente o abade e dedicámo-nos aos freires – até porque adoramos sandálias. Assim, abreviámos os procedimentos, baixámos a ostentação, moderámos o lume e reduzimos os ingredientes, que isto de gastar dúzias de ovos e ingerir terabytes de calorias já teve os seus dias e vai melhor com jesuítas do que donas de casa e gestores de despensa desesperados por fazer cumprir o orçamento mensal. Assim, … Ler mais
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