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Este é um dos grandes festins do palato. Uma aventura dos sentidos, os quais está prestes a perder, esperemos que não por conta do ingrediente Corona, mas, sim, devido ao elevado teor alcoólico envolvido em todo o processo. Razão pela qual sugerimos que não consuma o preparado no dia da confeção, exceto se, em vez de duas intoxicações alcoólicas ligeiras, preferir uma de proporções bíblicas, o que, nestes bizarros tempos de pandemia, até seria adequado, aceitável e desejável. Se for … Ler mais
Primeiro Ato
Boaventura oscilava entre a excitação e o medo. Em bom rigor, nem era verdadeiramente excitação nem medo. Era bem mais do que apenas isso. Era euforia e pavor. Uma bipolaridade bastante explosiva para o seu sistema nervoso, já para não mencionar a sua condição cardíaca, sempre à beira de um qualquer ataque. Apenas lhe ouvia a voz e já estava naquele estado. Tinha de sair do foyer. De encontrar a rua. De apanhar ar. Estava a hiperventilar … Ler mais
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Nojento, não é? Que peregrina ideia concebeu a possibilidade de juntar queijo e morangos e achar que, com isso, obteria um bolo? Parece coisa de pintura surrealista, ou de nerds da cozinha. Claro que suíços (e franceses também, mas deixemos estes para outra receita) – e, agora, atenção aos estômagos mais sensíveis – têm lá o seu fondue de queijo, onde submergem tudo e mais um par de botas, mas eles são suíços, não é? São gente estranha. São ricos … Ler mais
Recolheu-se em casa e só então percebeu o estado em que esta estava. Como tinha permitido que chegasse àquele ponto? Por onde tinha andado que não tinha nem reparado no desmazelo em que a sua casa estava? Vazia, empoeirada, com cheiro a mofo e solidão. Ao abandono. Quanta incúria! Paredes despidas, estores baixos. Uma escuridão bafienta e cega. Uma escuridão dolorosa. Como único elemento decorativo uns sinistros cortinados escuros. Castanhos, achava recordar. Já nem se recordava onde os tinha comprado, … Ler mais
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Conclusão primeira: Clarisse imaginava melhor do que vivia.
Sempre imaginou, e imaginou-o incontáveis vezes, desde que se lembra de ser gente, que este dia seria especial. Que sentiria coisas que não caberiam nas pobres formas vocabulares e que, por isso, teria de ficar calada durante dias – talvez semanas, chegou mesmo a supor – antes que conseguisse dizer algo que se aproximar-se da enorme felicidade que sentiria. As palavras são pobres, sabia-o bem, e o seu peito rico em coisas … Ler mais
Claro que somos adeptos dos cinco R e de tudo o que seja reaproveitar e dar segundas oportunidades, que só não erra quem não vive. Um princípio que se aplica inclusive e principalmente na cozinha, onde desperdício é palavra maldita, ainda que possa ser bem pronunciada (se não apanharam esta não vamos pôr-nos a explicar trocadilhos que envolvem maldita e mal dito, ainda que receemos ter acabado de o fazer.)
Vamos, então, por partes. O lombo, obviamente, não entra na … Ler mais
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