Zélia Marquesa, administradora do condomínio para o próximo biénio, nem pestanejava. Estaria aquela insignificante criatura, a viver na mais pequena parcela do prédio – umas bem giras, mas exíguas águas furtadas com um lamentável chão de linóleo – a dizer exatamente aquilo que ela, recém-coroada rainha do sofisticado reino de aquém e de além porta de entrada principal, entendia? Estaria o ratito do esconso-mor a exigir obras de manutenção estruturais no condomínio, por conta de uma telha estalada, nem sequer … Ler mais
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Tem alecrim aos molhos? Tendo pouco, tem como atirá-lo a algum tipo de molho? Tem costeletas de porco? Então, em teoria, já tem esta receita, senão pronta, pelo menos em potência e potência é tudo aquilo de que mais necessitamos, a par de saúdinha.
Na posse destes dois ingredientes-mestre, o resto é tão intuitivo como qualquer boa aplicação. Chega-se lá à primeira. Parece até que as coisas já estavam no nosso cérebro, sem necessidade de aprendizagem. Some umas boas costeletas … Ler mais
Porque Não Te Acalmas?
Encontrou o melhor e o pior do mundo logo no primeiro ano de escola. Uma galáxia de coisas para aprender e a vontade, o desejo e a determinação obsessiva de tudo querer absorver e dominar. Tudo saber. Não tudo, claro. Não tudo. Também isso aprendeu. Podia apenas aprender uma ínfima parte. Teria de ser seletiva e escolher bem. Isso teria ainda de aprender. A escolher. Enquanto não o fazia, o espanto. A maravilha. Tudo à sua frente. Uma estrada aberta … Ler mais
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Por vezes, ao escrever, não se dá conta de como podemos estar a baralhar passados, presentes e futuros leitores. Este é um desses exemplares casos. Delícia de baunilha sugere algo cuja delícia depende exclusivamente da baunilha, ou, ainda, uma baunilha que é tão boa que é uma delícia. De fora, em ambos os casos ficam os ovos, o açúcar, a farinha, o tacho e a forma, a manteiga e o leite, como se a eles nada fosse devido, nem fossem … Ler mais
Élio Lobo não sabia ao que ia. Disso se certificara Rapo, diminutivo de Raposa, miúda esperta e inteligentíssima, e companheira de Lobo nos últimos três anos. Tratara de tudo com o maior secretismo e com a ajuda sigilosa de muito pouca gente, a fim de garantir que não houvesse indiscrições fatais. Élio aceitara o desafio com expectativa, e o total desconhecimento relativamente a destino ou qualquer outra informação sobre o que os esperaria no final da viagem, que já ia … Ler mais
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Se é daquelas pessoas que se arrepia só de pensar ou ver tomate seco, então, descarte-o desde já, que por aqui não somos puristas. Compete-nos, todavia, informar que sem ele a receita falha um dos mais inesperados sabores, senão mesmo o único sabor da receita. Porque as pastas – se formos honestos no apuramento da verdade e dos sabores – são apenas massa, que apesar de ter uma boa consistência, é um pouco inócua ao paladar. Não chega a ser … Ler mais
Como sempre, o jantar alongava-se na exata proporção do interesse da conversa e do álcool consumido, sendo este último, a bem da verdade, bastante inferior à intensidade da conversa e à duração da refeição. Convém atentar neste detalhe, para que, mais à frente, não se salte precipitadamente para conclusões abusivas e falsas. Digamos que, no restaurante, em breve seríamos os últimos, que o entusiasmo da conversa já incluía o dono do restaurante e o chefe de mesa, e que o … Ler mais
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