Aguardava expectante que uma daquelas vozes de cana rachada chamasse o seu nome pelo microfone. Tinha especial carinho pelo timbre metálico dessas vozes. Vozes que, digeridas pela eletrónica, se tornavam indistintas entre si, quase mal denunciando o género dos falantes. Estridentes, histriónicas, esganiçadas. Como as de algumas vozes de ranchos folclóricos, mais a Norte do que a Sul, mais no feminino do que no masculino, é certo, mas timbres agudos que trazem, ainda assim, um certo conforto, porque nos lembram … Ler mais
Page 57 of 72
… Ler mais
Esta é daquelas primeiras receitas que, desde crianças – caso se tenha uma mãe prendada, ou nem por isso, e dedicada –, se aprende a fazer. Parece mesmo fácil de fazer, mas claro que, tal como tudo o resto que aparenta facilidades, também tem os seus truques e segredos.
Truques:
– Use apenas bolachas de formato geométrico, para conseguir encaixar as bolachas e ir montando um bolo por camadas, sejam elas circulares, quadradas ou retangulares sem desnecessárias irregularidades. Ou seja, … Ler mais
Mulheres Seiva
Vinha de uma linhagem de mulheres secas. Secas e sérias. Mulheres substância, sem um único acessório que não sangue e nervos. Apenas seiva. Vida no estado puro, sem sensibilidadezinhas ou enfeites, adereços ou acessórios. Apenas o necessário para se ser gente. Apenas o necessário para sobreviver. Apenas o necessário. Nem mais, nem menos, nem qualquer outra coisa. Nem qualquer outra medida. Mulheres caladas que se expressavam nos atos, no agir, no fazer. Mulheres cujo pensamento não era adivinhável ou expectável … Ler mais
… Ler mais
Exotismo, sedução, perdição. Estas são os três estádios pelos quais passa quem embarca nesta receita. Primeiro, vem a atração pelo exótico. Não apenas o peixe é sobre o sal, como pode Robalo diretamente ao mar, o que é ótimo, pois quer dizer que será gratuito, caso não seja apanhado a Robalo, claro está, que isto de almoços grátis, já sabemos como funcionam. Segue-se a sedução. Fica tão inebriado com o molho que é de um tom de vinho verde-escuro tão … Ler mais
A Rã e o Escorpião ou a Órfã de Pais Vivos
A mãe chorava. Agarrava o telemóvel nas mãos. Muito apertado. Contra o peito. A mãe chorava como ela, com soluços e baba e ranho que lhe saía do nariz e, também como ela, limpava tudo à manga do casaco. Não de pode fazer isso. Correu a ir buscar um lenço à mãe. Não chegava lá. Lembrou-se de papel higiénico. Também era bom. Também servia. A mãe sorriu a chorar e chorou ainda mais. Se calhar um lenço teria sido melhor. … Ler mais
… Ler mais
Somos pelo conhecimento empírico e pela experiência in loco. Para quê estar a maçá-lo com receitas regionais complexas, quando uma viagem aos Açores é imperdível? Vá. Vá e aprenda lá como se fazem, além de que o leite do arquipélago vem de vacas felizes e sorridentes, que vivem ao ar livre e comem da mais fresca e verde erva do planeta. E caso não consiga à primeira ou à segunda, não desespere, os próprios açorianos só conseguiram à Terceira … Ler mais
O que deveria ter sido dito
Texto simples, claro e direto com intuito informativo
– Suspeito de um homem, com cerca de 35 a 40 anos, vestia camisa preta e um casaco de malha. Na mão, um blusão daqueles com elástico de algodão nos punhos, no cós e à volta do decote, como os dos militares da Força Aérea, mas de fazenda. Umas calças de ganga, escuras, uns ténis brancos com riscas laterais. Parece que hoje em dia toda a … Ler mais
Comentários recentes