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Agora que o calor começa a dar sinais de vida… suada e que já sentimos aquela saudade da chuva e do frio – nunca estamos satisfeitos, não é? –, comece por ir até Trás-os-Montes, principalmente se aspira à coisa verdadeira e não apenas a um qualquer sucedâneo. A viagem é linda e o destino mais ainda, e sempre deve ser um pouco mais fresco, mas isto sem garantias. Se já lá está, não saia do sítio, exceto para ir buscar, … Ler mais
Os outros são chatos
São mesmo. Com as suas vidinhas e assuntos. Os seus sentimentos e emoções. A acharem-se a coisa mais central e importante do universo. A imporem-nos a sua presença e os seus direitos. A lembrarem-nos a cada instante as suas necessidades e afetos. A ocuparem o nosso lugar nos transportes públicos, ou a passarem uma das suas nádegas gordas para a nossa parte do assento. A roçarem o traseiro. A chegarem antes do que nós às filas. … Ler mais
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Esta é uma sobremesa de, literalmente, bradar aos céus. Aos céus encantadores, ainda para mais, que para menos não é connosco. De tal forma que é feita em camadas, para que melhor chegue lá acima. É quase pecado, falar assim, mas é como se os deuses a sugassem lá de cima, num ímpeto de gula. De tão simples, quase não há o que dizer sobre ela. São natas, vêm e vão para o céu e são montadas em camadas. A … Ler mais
Olhou-se ao espelho com agrado. Mais do que isso. Com indisfarçável orgulho e satisfação, traduzidos no inevitável ato reflexo de sempre: um irrefletido, automático e rasgado sorriso. Estava capaz de se apaixonar pela imagem refletida. Que pedaço de homem. Que brutal elegância. Que estúpida beleza. Era estupendo! Magnífico. Quem, no seu perfeito juízo e bem calibrado padrão de avaliação estética, poderia não o achar absolutamente atraente e irresistível? Até um invisual perceberia todo aquele calibre de boa aparência. Era belo … Ler mais
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Todos saberão fazer um bom molho de gengibre, pelo que saltaremos essa parte básica da receita e dedicar-nos-emos ao esfalfamento do salmão. Esta parte requer arte. Antes de mais, assegure-se de que o salmão chega morto à bancada da sua cozinha, pois a ideia não é suar o pobrezinho numa panela com água a ferver como uns e outros fazem às desgraçadas das lagostas, caracóis e afins da mariscada. Tem salmão? Está defunto? Ótimo. Não tome como certo o óbito … Ler mais
Costumava ter olho para a coisa. Saber exatamente ao lado de quem se sentar, com vista a uma viagem tranquila e segura. Sem que alguém ousasse meter conversa. Ou se atrevesse a sorrir, num tolo convite a uma impossível troca de palavras àquela hora da manhã, ou outra hora que fosse. Sem que as pernas começassem a roçar uma na outra. Sem intimidades ou grosserias. Sem incómodos, portanto. Aquele tipo tinha-a enganado. Completa e totalmente. Apenas um ar de asseadinho. … Ler mais
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