Categoria: Histórias Infantis para Adultos (Page 12 of 12)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

Os Três Porquinhos ou antes Os Três Informaticozinhos

OS TRÊS PORQUINHOS 528bcabc1397c63498cc16c059f704dd 

Informaticozinho 1 – MoboLau? Sei perfeitamente quem é pá! Fez-me a vida negra na Enterprise, aquela multinacional ‘amaricana’, onde estagiei. Foi lá que o tipo subiu até ser promovido a génio do IT. Começou aí o meu ódio ao gajo, não sei se ‘tás’ a ver. Era um idiota chapado e tinha a mania que sabia tudo, e o caraças, quando éramos nós que fazíamos o trabalho todo, pá. Todo! Eu sabia mais do que aqueles tipos todos juntos. Um … Ler mais

Alice no País das Maravilhas ou a Miúda de Cacilhas

ALICE 38d51c5883cce9da027057c62a363044As ondas embatiam na proa do cacilheiro, vinham do mar ou do raio que as parta, e aumentavam aquele nó que se agigantava no seu estômago. A náusea invadia todo o seu corpo num mal-estar que ia e vinha ao ritmo das ondas, ao ritmo da preocupação, com o mesmo compasso do desespero, agitando os vómitos numa sucessão ritmada que piorava a cada investida. Se ao menos conseguisse vomitar. Se conseguisse expelir todos os novelos que se emaranhavam no seu … Ler mais

A Princesa e a Ervilha ou a Jovem com Distúrbio Obsessivo Compulsivo

  • A PRINCESA E A ERVILHA 48b03b5ace744d75db8eed03a4a87ac7    A mesa de jantar estava um primor. Sempre gostara de pôr a mesa. Não apenas ‘pôr a mesa’, mas uma mesa bonita, decorada, preferencialmente com um tema, por norma, uma cor, um estilo, uma flor. Qualquer coisa que desse o mote para tudo o resto que punha na mesa. O tipo de centro, o tipo de serviço e faqueiro. Mais do que um hobby seria, por certo, um escape à rotina destes novos quotidianos em que encerramos toda uma existência.
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A Menina dos Sapatos de Ferro ou antes, A Gaja dos Louboutin

SAPATOS DE FERRO POR MARINA ROCHA RIBEIRO

Pois bem, comme d’habitude, era uma vez – mas também aqui, esteja à vontade para duvidar, pois vamos lá saber ao certo quantas foram as vezes. Porém, para comodidade de género, para maior identificação, e a fim de manter algo do original, aqui fica o clássico era uma vez uma menina. Ora, como as meninas se desenvolvem cada vez mais depressa e se atiram cada vez com mais empenho na estética adulta, a menina é agora uma gaja gira, … Ler mais

A Carochinha ou a Agarradinha e o João Ladrão

CAROCHINHA POR MARINA ROCHA RIBEIRO

Aqui há atrasado, Júlia ainda se recordava, tinha tido uma vida. Não era bem uma coisa em pleno, mas uma simpática aproximação daquilo que, por norma, se considera a existência humana. Havia uma família, pais, amigos, uma casa, a escola, roupa lavada, escova de dentes, telenovelas que se seguiam avidamente… Uma vidinha, vá. Na altura, era apenas sofrível para o seu espírito inquieto, menos do que isso para o seu coração palpitante, desejoso de aventura, ansioso de perigo, e um … Ler mais

A Gata Borralheira ou a Ágata da Alheira

GATA BORRALHEIRA POR MARINA ROCHA RIBEIRO

Ao ver-se ao espelho, enquanto retirava os quilos de maquilhagem e, sob esta, ao reencontrar as habituais olheiras que lhe desciam já até ao pescoço, Gata Alheira, questionou-se porque não lhe chamariam antes Gata Olheira! Um delírio retórico, já se vê. Num meio tão deprimente e limitado quanto o dos bares de alterne e seus derivados, – o seu era um derivado, já que foi ‘derivado’ da morte da mãe e do aparecimento na sua vida de uma madrasta de … Ler mais

A Bela Adormecida que é como quem diz, A Bela AdormeSida

 

A BELA ADORMECIDA

Bela olhava, no espelho, as mãos da cabeleireira deambularem com destreza pelos seus caracóis, por onde fios de prata carregavam anos e enredos no seu curriculum de vida. Num homem, as cãs podem ser surrealmente charmosas e sedutoras. Numa mulher, graças a milénios de subjugação e misoginia, não passavam de patilhas esbranquiçadas que, tal como a hera, trepavam insidiosamente por toda a sua cabeça. Notas de branco que indicavam aos machos a aproximação do fim do seu período fértil, … Ler mais

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