A – Já sabes da Pequena Sereia?
B – Qual Pequena Sereia?
A – A fulana do rés-do-chão direito, vizinha do Nemo, aquele gay muito educado e colorido, que trabalha no Trumps e tem aqueles cães adoráveis, um todo castanho e outro todo preto. Tu conheces!
B – Aquele que tem um corpo fan-tás-ti-co?
A – Esse mesmo. Vive ao lado de uma ruiva espampanante, não sabes quem é?
B – Ah, sim, aquela que tem uma cabeleira farta e … Ler mais
Belinha olhava o quarto que ocupava na Prisão de Odemira. Nunca lhe chamou cela. Jamais caiu nessa esparrela, que isto quando nada se tem as palavras podem ser tudo. Por isso as poupava. Por isso as aplicava com sabedoria, com cautelas de alta finança e rigores de cirurgião. Com elas sarava pequenas chagas, usando-as como leves compressas, embebidas em eufemismos e cirurgicamente aplicadas, aqui e ali, em recônditos interstícios da sua alma, já que as feridas maiores, supunha, dificilmente as …
Call Center – Bom dia, ligou para o call center da Mezone, o meu nome é Baralha e Volta a Dar, em que posso ser útil?

Estava um dia gélido e a miúda, explorada por uma insensível mãe alcoólica, tinha ainda por cumprir a tarefa de ir a casa da avó, na Musgueira, levar-lhe a marmita com o almoço, se é que se podia chamar almoço àquela parca refeição de enlatados e pão duro que, ainda assim, garantiam a sobrevivência da idosa. Refilou tudo o que tinha para refilar enquanto a mãe, prostrada por uma quantidade escandalosa de vinho de má qualidade e entorpecida por uma …
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