Categoria: Histórias Infantis para Adultos (Page 11 of 12)

Vamos colocar em pratos limpos alguns dos maiores enganos do universo infantil, lançando um foco de pós-modernidade e neurose sobre contos infantis que, com horrores de bisturi e ausência de anestesia, moldaram o espírito feminino durante milénios, deixando claro na mente ‘estrogénica’ as benesses do sacrifício, a alegria da dor, a felicidade da humilhação. Vamos repor a verdade dos factos, porque de parvas as miúdas têm apenas isto: NADA.

A Pequena Sereia ou a Filha da Peixeira Que Não Ia em Cenas

A – Já sabes da Pequena Sereia?

B – Qual Pequena Sereia?

A – A fulana do rés-do-chão direito, vizinha do Nemo, aquele gay muito educado e colorido, que trabalha no Trumps e tem aqueles cães adoráveis, um todo castanho e outro todo preto. Tu conheces!

B – Aquele que tem um corpo fan-tás-ti-co?

A – Esse mesmo. Vive ao lado de uma ruiva espampanante, não sabes quem é?

B – Ah, sim, aquela que tem uma cabeleira farta e … Ler mais

Pipi das Meias Altas ou a Tipa com Expectativas Altas

Os seus receios iniciais desvaneciam-se de forma cálida. Primeiro, receou a agressividade de um qualquer vendedor, ao ver entrar uma mulher sozinha num stand em busca de um carro, sem sequer ter bem uma ideia do modelo pretendido. Entrou como quem entra na Zara, apenas para ver as novidades da estação e porque sabia que o seu carro necessitava urgentemente de ser substituído. Ou isso, ou teria de gastar uma pequena fortuna em arranjos vários. Ainda que o seu olhar
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Rapunzel, o Maior Amor do Planeta e o Camião do Faísca

– Se me pedisses um beijo agora, ficarias surpreendido com a minha resposta.

Disse-to da primeira vez que nos vimos. Eu, do alto da minha altíssima e portentosa torre, de autoconfiança e juventude feita. Tão cheia de amor próprio e segura da minha beleza, que não hesitei em seduzir-te, enfeitiçar-te, desconcertar-te. Pelo menos, foi isso que aceitei como sendo verdade, nessa primeira troca de olhares, que te seduzi sem misericórdia, ao ver os dribles oculares apaixonados que me lançavas do … Ler mais

A Cigarra e a Formiga ou o Bandalho e o CCOPB – Chefe Com Olho Para Bandalhos

Aquele era um mês atípico para José Bandalho. Correção, aquele era um dezembro atípico na vida de José Bandalho, ou, para os poucos amigos, Zé Bandalho, ou apenas e tão simplesmente Bandalho, já que era comum na sua empresa utilizar-se apenas o apelido, exceto no caso da maioria das mulheres. Como não era esse o seu caso, e tinha apreço pelo toque militar desse trato, orgulhosamente, Bandalho ficou. Ora, todos os anos, Bandalho guardava religiosamente o último mês do ano … Ler mais

Cachinhos de Ouro e os Três Ursos ou a Loura que Andava a Monte e Fumava Cachimbo

Ali, no meio do nada, escondida numa cabana de pastor abandonada, onde o cheiro do campo se misturava com o da urina, com que as paredes pareciam ter sido pintadas, Cachinhos de Ouro não conseguia ter medo. A adrenalina da fuga incendiava-lhe uma nervosa felicidade e colocavam no palanque da sua mente a voz estridente e histriónica do autoelogio. Como era esperta e destemida, temerária e estratega. Não havia pai para si. Quer dizer, haver havia, mas não sabia onde … Ler mais

A Bela e o Monstro ou Belinha e o Mastronço

7f2d648f24e7e7eccda8f3047c588c63Belinha olhava o quarto que ocupava na Prisão de Odemira. Nunca lhe chamou cela. Jamais caiu nessa esparrela, que isto quando nada se tem as palavras podem ser tudo. Por isso as poupava. Por isso as aplicava com sabedoria, com cautelas de alta finança e rigores de cirurgião. Com elas sarava pequenas chagas, usando-as como leves compressas, embebidas em eufemismos e cirurgicamente aplicadas, aqui e ali, em recônditos interstícios da sua alma, já que as feridas maiores, supunha, dificilmente as … Ler mais

A Princesa e o Sapo ou a Fulana que Não Engolia Sapos Nem Papava Grupetas

Setembro ia já a meio. Com ele as noites chegavam mais cedo e o sol não se erguia tão alto no céu, mas as tórridas temperaturas que se faziam sentir superavam as de muitos verões, pelo que a vida tendia a agarrar-se aos indolentes hábitos que, por norma, preenchem a agenda das férias. O único problema era que, entre o pequeno almoço na ‘quequeria’ mais in do bairro e o reencontro, no final da tarde, na marisqueira do Armando – … Ler mais

O Cordeiro e o Lobo ou o Cliente Incauto e o Call Center

95f933a42ee0adfaa8ee9fbe1acff641Call Center – Bom dia, ligou para o call center da Mezone, o meu nome é Baralha e Volta a Dar, em que posso ser útil?

Cliente Incauto – Bom dia, estou a precisar da vossa ajuda. Sou assinante do vosso pacote MUEBAC – Mega Ultra Extra Bom e Algo Caro mas não tenho quase rede em casa nem acesso à internet.

Call Center – Disse-me que era assinante do pacote MUEBAC – Mega Ultra Extra Bom e Algo Caro? … Ler mais

Branca de Neve e os Sete Anões ou Tranca de Neve e os Sete Morcões

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Pegava ao serviço em menos de meia hora e sabia bem o que antecedia a sua saída de casa. Desde que Sandro passara a ser Sandra e, mais recentemente, Sandrinne – com dois ‘enes’ – que todos os dias tinha de passar pelo xarope de uma ladainha muito maçadora. Começava pela observação crítica do seu vestuário e uma verificação do hálito. Depois disto, passava em revista o interior da sua carteira, certificando-se de que tinha toda a documentação e, sempre, … Ler mais

O Capuchinho Vermelho ou O Diabo Veste… Nada

capuchinho-vermelho-ba59264045382638fe30de56579e67f5Estava um dia gélido e a miúda, explorada por uma insensível mãe alcoólica, tinha ainda por cumprir a tarefa de ir a casa da avó, na Musgueira, levar-lhe a marmita com o almoço, se é que se podia chamar almoço àquela parca refeição de enlatados e pão duro que, ainda assim, garantiam a sobrevivência da idosa. Refilou tudo o que tinha para refilar enquanto a mãe, prostrada por uma quantidade escandalosa de vinho de má qualidade e entorpecida por uma … Ler mais

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