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Um caldo de peixe é coisa para principiantes. Havendo água, eventualmente um copo de vinho, e meia dúzia de legumes (cebola, alho, tomate, pimento…) e condimentos (hortelã, poejos, hortelã da ribeira, ou coentros, piripiri, pimentão-doce, ou outra especiaria do seu agrado) para o caldo, e uma ou várias qualidades de peixe, ou apenas um peixe qualquer, para satisfazer a necessidade de peixe que a receita exige, a coisa está feita e bem feita.
Agora, um caldo entornado requer perícia, algum … Ler mais
– Fred, amigo, é hoje que vou encontrar a mulher da minha vida. Escreve o que te digo. Só saio daqui casado.
Fred riu e continuou a encher os copos com a mistela mais explosiva que já lhe tinha passado pela garganta e a dizer que sim a tudo.
– Só não vás casar-te à minha tenda. Não te esqueças que vim com a Carol.
No meio da multidão, suada e em êxtase, entoando e gritando ao som infernal dos … Ler mais
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Este é todo um novo debate. Se sem ovos não se alcançam omeletes, sem eles também não se chega a Molotof, ficando-nos por um mero Mo, ou Molo, quando muito um Molot. Isto porque a receita se baseia em apenas dois omnipresentes ingredientes, ovos e açúcar e aquela pitada de água em quantidade suficiente para fazer o caramelo. Porém – e este é um importante porém –, os ovos não são inteiros, resumindo-se tudo ao emprego das claras. Muitas claras, … Ler mais
Era o doce e extasiante travo da liberdade. Sem limites. Sem restrições. Sem moralismos. Sem reprimendas ou impossibilidades. Apenas o mundo à sua frente. Apenas ela e o universo. Uma astronauta na enorme aventura do espaço e do tempo. Só assim se é livre. Sem constrangimentos. Apenas vontade e caminho. Apenas ânsia de seguir. Só mais uma volta ao quarteirão. Mais uma ronda pelo bairro. As pernas doridas de tanto pedalar, mas nem sinal de abrandamento ou cansaço. Era livre. … Ler mais
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Albardar um animal, qualquer animal, é, em nosso entender, uma violência, uma crueldade sem igual. Esta mania de fazer dos animais bestas de carga é demasiado dois séculos passados para ainda fazer sentido numa era tecnológica, de robotização e inteligência artificial. Conceber tal cenário, num bacalhau, então, é até inimaginável. O que transportaria o pobre bacalhau nos seus minúsculos alforges? As ovas? Hummm, não seria mal visto, caso fizesse sentido, como não faz, voltamos ao princípio do absurdo e da … Ler mais
(F)Ato III
Casaco de tweed
Estado – em segunda mão
Não sabia como, mas sabia naquilo que a sua existência se tinha transformado: num imenso chavão. Recordava o entusiasmo do auspicioso início de tudo, associado para sempre a um velho casaco de tweed comprado em segunda mão numa loja da baixa, de espírito vintage e cheiro a mofo, situada numa cave de paredes de pedra. Ainda mantinha o casaco, guardado algures entre milhares de outros de caxemira, alpaca, lãs por … Ler mais
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