Faria tudo por ela. Absolutamente tudo. Quer dizer, tudo dentro do tudo que nos é dado a conhecer. Certamente que um tudo maior haverá para lá do nosso pequeno tudo. Pensar nisso apoquentou-o. Tudo tem de ser tudo. A vida, se previso for, a felicidade, se assim tiver de ser, o bem-estar e o conforto e até a sanidade mental. Sem pestanejar. Sem hesitar. Sem vacilar ou pedir um tempo, para pensar ou reorganizar ideias. Tudo é tudo. Sim. Acreditava … Ler mais
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Este episódio desenrola-se numa estrutura em três atos, como qualquer bom clássico ou moderno.
Trata-se de uma peça natalícia adaptada aos tempos de crise que se vivem e àqueles que já se adivinham. Não desperdice dinheiro em fruta cristalizada, que é cara e já nem sequer tem vitaminas, apenas açúcar em quantidades épicas, para não dizer pornográficas.
Não se endivide por conta de frutos secos do tipo pinhão ou nozes, que já custam mais do que barritas de ouro embebidas … Ler mais
P’ráli Estávamos as Duas
P’ráli estávamos as duas. Vistas de fora, apenas duas mulheres sentadas lado a lado. Possivelmente irmãs. Provavelmente familiares ou apenas amigas, que o amor acaba por nos tornar iguais na diferença. Vistas por dentro, dois trapos de gente. Coração apertado. Punhos cerrados. Cerrados de medo, não de fúria. Também de fúria, mas mais de medo. Um medo selvagem, primitivo. Uma tensão que prendia nervo, ossos e carne num aperto inconsciente, involuntário, primário. Por fora, calma, seriedade, olhar perdido no nada, … Ler mais
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Esta receita nasceu para celebrar a abertura de portas do mundo, após um período para esquecer que foi também um tempo de esquecimento, seguido de imediato de uma guerra que ainda se mantém e de tantas outras incredulidades que nós nos apeteceu esborrachar bolachas sem intervalos. É certo que pavê soa mal, ainda que saiba bem, e lembra, desde logo, alguém com sérios problemas de dicção, que talvez pretendesse dizer que algo era ‘para ver’, mas que devido a dificuldades … Ler mais
– Esteves! Esteves, podes chegar aqui?
Venâncio Esteves olhou na direção de Claudêncio com enfado. Desde que Manco – o muito adequado apelido de Claudêncio – tinha sido promovido a gestor financeiro de todo o grupo internacional onde ambos trabalhavam, que circulava pelo seu exíguo universo como se fosse o rei da selva, o que, muito obviamente, não era. Intimidava os mais fracos, coagia os médio-fortes e desafiava mesmo os mais fortes. Por mais fortes entenda-se tanto os mais musculados … Ler mais
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Não vamos complicar. Para quê? Do que aqui falamos, ao falarmos de pão recheado com enchidos dos bons é tão simplesmente de belas sandes de chouriço, disfarçadas de açorda em casca de pão. Só e apenas. Boas sandes de chouriços vários, a solo ou em combinação. Uma sandes é isso mesmo, pão que se abre para a vida, para que por dentro se lhe coloque um recheio que, neste caso, é de fumeiro: belos enchidos, que ainda por cima, ou … Ler mais
Era chegado o momento. Não estava para aturar mais tudo aquilo. Uma chefe insegura, que se impunha pelo medo, gerido com insultos e humilhações públicas, rebaixando os funcionários a bel-prazer, em frente de toda a equipa, sem motivos substantivos para tal. E mesmo que os houvesse, todos merecem respeito, mesmo quando erram, mesmo quando não prestam. Gritar. Humilhar. Cuspir ódio sobre as pessoas só revelava o espírito mesquinho que habitava o cargo. Quanto mais insultava, menos valor colocava nas ideias … Ler mais
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